quarta-feira, 27 de março de 2013

Um Marco na História do CUT

Edson Fernando Celestino

(Entrevista publicada no Jornal “O Tambaú” no ano de 1988)

Continuando nossa série de entrevistas com pessoas que fizeram a história do CUT, vou entrevistar uma pessoa espetacular, tanto profissionalmente como socialmente: um homem que, ao ser presidente do CUT, deixou na história deste um marco importantíssimo, talvez o único que o CUT, possua. Nosso entrevistado de hoje: Edson Fernando Celestino.

CUT – Edson, quando você começou a participar do CUT e quais suas principais idéias como presidente?

EDSON – Já participava da SEUNIT desde 1967, quando entrei para a Faculdade de Direito. Nessa época eu já ajudava o pessoal, trabalhava um pouco, mas ainda não era o responsável. Em 1975, senti que era a hora de assumir a presidência do CUT. Minha idéia era apagar a imagem que o CUT tinha que ser uma “panelinha”. Eu sonhava em fazer um “panelão”.Com isso na cabeça, fui buscar companheiros e fizemos um jantar de confraternização. 
Estavam comigo na diretoria: José Luiz Bozzi, Marcio Vernaschi, José Luiz Fernandes, Neco e o Paulão de Oliveira. Esse pessoal era desconhecido da classe universitária e isso fazia parte do nosso plano de metas que era fazer o “panelão”.
O funcionamento do plano era assim: cada um estudava numa cidade diferente e tinha que trazer para Tambaú outros estudantes dessas cidades.
Infelizmente nosso “panelão” não obteve o sucesso esperado, os estudantes de fora não apareciam por aqui. Mas mesmo assim, nós fizemos a SEUNIT e com sucesso. Todo mundo trabalhava. E eu penso que é assim, com união, que se consegue alguma coisa.

CUT – Qual o evento realizado por vocês que mais marcou a SEUNIT daquele ano?

EDSON – O que mais marcou dentro daquela SEUNIT foi, com certeza, uma homenagem que fizemos à imigração italiana. Nós trouxemos o vice-cônsul italiano e conseguimos reunir treze imigrantes na ocasião. Destes, só há uma mulher viva até hoje. Fizemos uma grande festa na praça Santo Antonio, bem em frente da matriz e lá colocamos um marco que, além de homenagear todo o povo italiano, ainda deixava para sempre a presença do CUT na cidade. Quem participou desta festa, por certo nunca a esquecerá. Trouxemos também, na época, a peça “O Pequeno Príncipe”  com um grupo de teatro de Cajuru e duas peças de Ribeirão.

CUT – E o Bolinha? Naquela época havia grande preconceito contra a boate?

EDSON – Havia. Naquela época, o Duca, o Djalma, e o Zé Eli e a turma deles já participavam enfeitando o Bolinha e eles faziam decorações ótimas, mas mesmo assim a população via o Bolinha como um lugar onde aconteciam coisas inacreditáveis. Chegamos a fazer uma noite de graça para o pessoal ir à boate.

CUT – Depois que você deixou a presidência, continuou a participar da SEUNIT?

EDSON – Continuei por mais três anos. Depois a coisa começou a partir para outro lado e eu achei melhor tirar o time de campo. Se a SEUNIT for um evento bem organizado, todo mundo ajuda, mas se não houver essa organização, o pessoal vai se afastando. Vai saindo.

CUT – Qual a sua expectativa para o Jubileu de Prata do CUT?

EDSON – Apesar de todas as preocupações e de todo o trabalho, a gente chegar aos 25 anos do CUT já nos traz orgulho de ter participado da diretoria e continuar participando das atividades hoje em dia. Estou muito otimista com os 25 anos, principalmente pelo pessoal que está organizando. Vocês estão bem intencionados e, tenho certeza, terão todo o sucesso esperado.

E, desta forma, terminamos o bate-papo com o Edson. A entrevista foi realizada por mim, pelo Jaime da Silva e pelo João Aguiar, que me acompanharam até a casa do Edson. Numa gelada tarde de domingo, tivemos essa gostosa conversa que serviu ainda mais para aquecer os ânimos para esperar a grande festa do Jubileu de Prata. Agradeço ao Edson pela atenção e pelo marco que ele deixou na história do CUT.
Paulo Rogério

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