1962 e 1963 foram anos incríveis
para a música, o cinema, a arte em geral. O mundo mudou a partir daí.
Mudamos
juntos. Quem já estava por aqui, quem nasceu alguns anos depois e, quase
parafraseando Brecht, até os que vierem depois de nós.
Em meio a este turbilhão cultural
surgiram umas bandas na Inglaterra que mexeram um pouquinho com nossa vida: uns
tais de Rolling Stones e uns garotos de terninho, comportadinhos, que se auto
intitularam The Beatles.
No cinema, um agente secreto à
serviço de Sua Majestade, perpetuou um gênero, com uma boa dose de Martini -
mexido, não batido, mulheres deslumbrantes, ação do início ao fim e
verossimilhança deixada de lado, em favor da magia do cinema.
Cinquenta é um número cabalístico
para os amantes da Cultura em geral. E também para nós, da pequena e brava
Tambaú que quase sempre, com honrosas exceções, foi culturalmente castigada
por desmandos, perseguições e policiamento politicamente hipócrita por parte de
autoridades historicamente despreparadas, no decorrer da história.
O CUT - Clube Universitário Tambauense
já surgira em 1962, mesmo ano do primeiro single dos Beatles “Love Me Do” e do
primeiro filme de Bond, “O Satânico Dr. No”, bem como da formação dos Stones.
Mas foi há exatos cinquenta anos
que a banda de Liverpool lançou “Please, Please Me”, o primeiro disco; que Charlie
Watts assumiu definitivamente a bateria dos Stones e que “Moscou contra 007”
consolidou a imagem do agente secreto nos cinemas.
Neste turbilhão, um grupo de
jovens deu a cara à tapa para fazer a diferença. Um ano depois a outra face
seria oferecida – até a contragosto – em forma de um golpe militar no país.
Mas a Senhora dos Nossos Sonhos –
nossa Seunit – sobreviveu aos 23 filmes do maior agente secreto do cinema, à
mais de 30 discos de estúdio (e outro número igual de discos ao vivo) dos
Rolling Stones, à toda discografia dos Fab Four, à morte de dois deles, à 10
prefeitos e à sede que nunca teve.
A Semana Universitária Tambauense
é o melhor espelho da juventude da cidade desde sua criação, para o bem e para
o mal. Reflete exatamente o pensamento, a atitude (ou a falta dela), a cultura,
a política, o gosto musical e, sobretudo,
o comportamento dos nossos jovens.
E nunca um dos hinos da Seunit
coube tanto nesses cinquenta anos: “Minha dor é perceber que apesar de termos feito
tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.” O
que, na atual circunstância, é um grande alento e esperança.
O novo visual deste blog, que vai
reproduzir neste ano entrevistas e artigos históricos da Seunit, homenageia
todos que colocaram e colocam, na parede da memória, os quadros que compõem o
riquíssimo mosaico de lembranças chamado “Semana Universitária Tambauense”.
Saudações Universitárias.
Paulo Rogério B. Rocco
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