segunda-feira, 18 de março de 2013

Cinquenta


1962 e 1963 foram anos incríveis para a música, o cinema, a arte em geral. O mundo mudou a partir daí. 

Mudamos juntos. Quem já estava por aqui, quem nasceu alguns anos depois e, quase parafraseando Brecht, até os que vierem depois de nós.

Em meio a este turbilhão cultural surgiram umas bandas na Inglaterra que mexeram um pouquinho com nossa vida: uns tais de Rolling Stones e uns garotos de terninho, comportadinhos, que se auto intitularam The Beatles.

No cinema, um agente secreto à serviço de Sua Majestade, perpetuou um gênero, com uma boa dose de Martini - mexido, não batido, mulheres deslumbrantes, ação do início ao fim e verossimilhança deixada de lado, em favor da magia do cinema.

Cinquenta é um número cabalístico para os amantes da Cultura em geral. E também para nós, da pequena e brava Tambaú que quase sempre, com honrosas exceções, foi culturalmente castigada por desmandos, perseguições e policiamento politicamente hipócrita por parte de autoridades historicamente despreparadas, no decorrer da história.  

O CUT - Clube Universitário Tambauense já surgira em 1962, mesmo ano do primeiro single dos Beatles “Love Me Do” e do primeiro filme de Bond, “O Satânico Dr. No”, bem como da formação dos Stones.

Mas foi há exatos cinquenta anos que a banda de Liverpool lançou “Please, Please Me”, o primeiro disco; que Charlie Watts assumiu definitivamente a bateria dos Stones e que “Moscou contra 007” consolidou a imagem do agente secreto nos cinemas.

Neste turbilhão, um grupo de jovens deu a cara à tapa para fazer a diferença. Um ano depois a outra face seria oferecida – até a contragosto – em forma de um golpe militar no país.

Mas a Senhora dos Nossos Sonhos – nossa Seunit – sobreviveu aos 23 filmes do maior agente secreto do cinema, à mais de 30 discos de estúdio (e outro número igual de discos ao vivo) dos Rolling Stones, à toda discografia dos Fab Four, à morte de dois deles, à 10 prefeitos e à sede que nunca teve.

A Semana Universitária Tambauense é o melhor espelho da juventude da cidade desde sua criação, para o bem e para o mal. Reflete exatamente o pensamento, a atitude (ou a falta dela), a cultura, a política, o gosto musical e, sobretudo, o comportamento dos nossos jovens.

E nunca um dos hinos da Seunit coube tanto nesses cinquenta anos: “Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.” O que, na atual circunstância, é um grande alento e esperança.

O novo visual deste blog, que vai reproduzir neste ano entrevistas e artigos históricos da Seunit, homenageia todos que colocaram e colocam, na parede da memória, os quadros que compõem o riquíssimo mosaico de lembranças chamado “Semana Universitária Tambauense”.

Saudações Universitárias.

Paulo Rogério B. Rocco

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