domingo, 8 de setembro de 2013

Em sua 50ª edição, Seunit inova e se consolida como grande evento regional

Cineasta Fernando Meirelles que esteve na Seunit.
Gustavo de Oliveira Antonio

Entre 12 e 21 de julho de 2013, Tambaú-SP viveu dias históricos, em um clima de efervescência cultural, com especial destaque para cinema, teatro, música e cidadania. A responsável por tudo isso foi a Seunit Edição Ouro, que comemorou a 50ª edição da Semana Universitária Tambauense. Ao chegar ao seu Jubileu de Ouro, a Seunit – organizada pela Associação dos Estudantes Universitários de Tambaú (ASSEUTAM) com o apoio da Prefeitura Municipal de Tambaú – apresentou atrações de alto nível e diversas inovações, consolidando-se como um dos mais importantes eventos universitários da região.

Os olhos das cidades (e da imprensa) da região voltaram-se para Seunit Edição Ouro logo em seu segundo dia, quando foi realizado um bate papo com o consagrado cineasta Fernando Meirelles – indicado ao Oscar de Melhor Diretor pelo filme “Cidade de Deus” e filho do médico tambauense José de Souza Meirelles. Além de falar sobre sua trajetória, Meirelles tratou dos mais diversos assuntos relacionados ao campo do audiovisual, respondeu a perguntas do público e inaugurou a Mostra Fernando Meirelles de Cinema (essa mostra apresentou filmes de sucesso - como Ensaio sobre a cegueira, O jardineiro fiel, Elena, Vips, A Busca, José e Pilar - durante todos os dias da Seunit).

No campo das inovações, a estrutura do Bar Catiguria (local onde são realizados os shows da Seunit) foi uma das novidades que tiveram maior impacto. Com o apoio da Prefeitura Municipal de Tambaú, a organização elaborou, no Recinto de Eventos da cidade, um espaço formado por tendas, que abrigaram palco, pista de dança, camarim, bar e um camarote (o da Cachaçaria Mahal – mais uma inovação). Pelo Catiguria passaram nomes conhecidos no cenário musical nacional, como Pedra Letícia e Velhas Virgens, durante as frias noites tambauenses de julho. 

Outra inovação da Seunit Edição Ouro voltou-se para a área social. Com o projeto “Seunit nos Bairros”, realizado em parceria com o Movimento La Cucaracha, com representantes das comunidades e com grupos organizados de Tambaú (como Interact, Doutores do Sorriso, “Ô de Casa”), a Semana Universitária levou diversas atrações culturais (como shows) e sociais (orientação jurídica, corte de cabelo e cama elástica) para os bairros de Tambaú, integrando a cidade toda e mostrando que a Seunit pertence a todos os cidadãos do município. Esperamos, sinceramente, que o “Seunit nos Bairros” seja incorporado à Semana como evento fixo, pois é essencial que o universitário assuma seu papel de agente transformador da sociedade.

Teatro, exposição e muita música

O lado cultural da Seunit – um de seus maiores símbolos, mas que ficou esquecido por um tempo – foi valorizado em 2013. Além do bate papo com Fernando Meirelles e da Mostra de Cinema, o evento contou em sua programação com “Portobello Circus: a história de muitos amores”. Encenada com maestria pela Associação Cultural Quintal das Artes, a peça lotou o anfiteatro da APA em seus dois dias de exibição.

Também ficou a cargo da Associação Cultural Quintal das Artes a ótima exposição “Na parede da memória – 50 anos da Semana Universitária Tambauense”, que apresentou, no Museu Histórico Ernesto Ricciardi, cartazes, fotos, objetos e documentos que construíram a história da Seunit.

No Bar Catiguria, as noites da Seunit foram agitadas. Logo na abertura do evento, o pop-rock bem humorado do Pedra Letícia repetiu o sucesso de 2012. Na noite seguinte, a banda The Wanteds fez um tributo a Beatles e Rolling Stones, naquela que foi saudada como uma apresentação com a cara da Semana Universitária Tambauense.

No domingo, 14 de julho, o primeiro fim de semana da Seunit Edição Ouro foi fechado em grande estilo pelo pagode do grupo tambauense Indecisão. As noites de segunda e terça-feira foram reservadas ao talento dos artistas e bandas de garagem de Tambaú e região (Tales Misael, Agave, Clayton Reis e Fábio Martins, Bad Train, Soundscape, Kadmo e Gabriel, Iara Sampaio, Gu Almeida, Quantuns Loucos, além de participações especiais de Fernando “Pão” Lozávio, Maicon Faria, Danim Correa e Iuri Assalin). Já na quarta-feira, o público pôde matar a saudade do pop rock de Ratto, que já havia lotado o Centro Cultural nas Seunits de 2007 e 2008.

Cabe destacar que em meio a todos esses shows, eram distribuídas as pistas da tradicional Caça ao Tesouro, além de ocorrer a Mostra Fernando Meirelles de Cinema na APA (cada dia com um filme diferente), a exposição “Na Parede da Memória” e o Campeonato de Futsal “Interbusão” (disputado por universitários). No Catiguria, na quinta-feira, a banda RP3, de Ribeirão Preto, surpreendeu a todos com um ótimo show, recheado de hits de pop rock nacional e internacional revestidos de uma roupagem mais próxima do eletrônico.

A sexta-feira, 19 de julho, foi marcada pelo esperado show do grupo Velhas Virgens, uma das maiores bandas independentes do Brasil. Nem mesmo o temporal que se deu sobre Tambaú impediu que o som pesado com letras escrachadas da banda levasse grande parte do público ao delírio. Já na reta final, o sábado da Seunit Edição Ouro teve a tradicional Maratoma (que voltou a ser disputada pelas ruas da cidade) e os jogos etílicos. À noite, o Catiguria registrou recorde de público para ver a estreia do projeto Lex Duo Djs (dos djs Boka e Zerbini) e o show de sertanejo universitário da dupla Kenny e Robert. Por fim, no domingo, houve campeonato de som e as apresentações musicais do grupo de pagode Eternamente e do cantor Vinny C.

Pelos comentários e cumprimentos recebidos, a organização da Seunit Edição Ouro acredita ter cumprido muito bem a missão de realizar, na 50ª edição, um evento digno dos 50 anos de história da Semana Universitária Tambauense. Como sempre destacamos, o importante é a Seunit – assim como todos os eventos que tragam coisas boas para Tambaú. Desta forma, independente de quem esteja na organização, a esperança é que sempre permaneça o espírito da Seunit, aquele mesmo que levou jovens a criar o evento nos anos 1960: o espírito de fazer as coisas acontecerem, de agir pensando num bem maior e coletivo.
Que venham os próximos 50 anos. Porque a questão não é ser jovem. E sim saber como evoluir.

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