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| Duca em seu pronunciamento em 1993. |
(Pronunciamento escrito e apresentado por Delduque Palma Pinto (Duca), no Jantar de Confraternização da 30ª Seunit, em 1993, realizado no Ipê Tênis Clube)
O ser humano enfrenta enormes dificuldades
em todas em as suas atividades, em todas as suas empreitadas, mas se dá conta
apenas em certas ocasiões. Ou seja, percebe a verdadeira dimensão do que está
pretendendo ou realizando apenas nas datas redondas, naqueles dias que ele convencionou
chamar de aniversário. Pois é, o CUT faz este ano TRINTA anos de vida e se
pretendermos ser exatos, deveríamos comemorar no começo do ano, quando foi
idealizada a 1° SEUNIT. Nós, das gerações posteriores à geração dos pioneiros,
nos acostumamos com SEUNIT nas férias de julho, mas naquele distante 1963 não
foi assim.
1963, o presidente da república era João Goulart, de
tendência esquerdista, colocado no cargo pela renúncia de Jânio Quadros, depois
de breve experiência parlamentarista. Jango era vice-presidente. Isso mesmo,
essa história de vice não é nova no Brasil. Seu governo não ia bem, pelo menos
é o que pensavam os americanos e os militares, que viam com bastante
preocupação suas investidas por demais democráticas. A 2° SEUNIT, já em 1964,
foi realizada em pleno regime militar, no mês de julho, mesmo porque o começo
deste ano foi, digamos, ligeiramente agitado.
Por mais que se tente negar, o golpe daquele ano mudou muito
nossos rumos e não era pra menos. Neste país de pouca tradição de levantes operários,
o que preocupava mesmo os homens de verde eram aqueles jovens cheios de idéias
novas (nem tanto) na cabeça. Mas a panela de pressão iria explodir mesmo em 68,
aquele ano que nunca terminou, onde além de idéias, os estudantes começaram a
usar outras armas.
O CUT nasceu numa reunião de 23 pessoas, das quais vou
declinar o nome de apenas 19, pelo simples fato de que ainda não conseguimos
levantar o nome de 4 pessoas. Mas provavelmente surgirão aqui neste encontro,
pela simples troca de ideia entre tanta gente envolvida. São eles:
Francisco José Gatto, Balduino Kalil Dib, Antonio Ristum
Salum, Nephile Ristum Salum, Janete Ristum Salum, Delal Ristum Salum, Célia
Bacci, Ricardo Aparício Bacci, José Eli Martinelli de Lima, Leni Maria
Martinelli de Lima, Antonio Marcio Prado Venturinni, Sirley Adelaide Lepri,
Ligia Gandara Esteves, Cecília Sobreira, Eronir Georgetti, Sérgio Prado de
Mello, Glória Biasoli Alves, José Ristum, Maria Adelaide Meirelles.
Antes dessa reunião histórica, a idéia de se reunir em grupos
frustrou-se em experiências anteriores tais como o grupo dos 21, obrigados que
foram a subir dos porões para os salões da SAT. Eram jovens cheios de idéias,
certamente. Mas, que idéias eram essas afinal que incomodavam tanta gente?
Se contadas finalmente para filhos e até mesmo netos, eles
certamente achariam muitas um tanto inocentes. Mas é preciso entender a época
em que elas surgiram. O conflito de gerações, nome dado às inevitáveis
diferenças de expectativas entre jovens e adultos, começava a despontar como
algo novo e assustador para toda uma sociedade. A série “Anos Rebeldes”
estabeleceu belo retrato desta década de salto da época vitoriana, da tristeza
e das guerras “mata- jovens”, para os “canhões estúpidos com flores”, o mesmo
dedo em V de Churchil usado para outros fins, os hippies, os cabelos compridos
e as vestes coloridas. As guerras continuaram, mas aí os jovens já podiam dizer
não a elas. E disseram, de muitas maneiras.
Mas afinal, o que o CUT fazia nesta época dos conflitos
muitas vezes escondidos do grande público? Aqui na nossa pequena Tambaú, de
poucos menos de 20 mil habitantes, o ligeiro e ousado navio era comandado por
um jovem de incontáveis talentos, um moderador, um catalisador capaz de unir e
liderar pessoas, que à sua maneira, por sete anos amansou feras e domou
dinossauros. Fosse outro, talvez, não estivéssemos aqui comemorando 30 anos. Um
pouco mais de radicalismo seria motivo suficiente para a dissolução daquela
tenra ideia Que o digam outras experiências estudantis da época (JET, Grêmio
Estudantil, JEC, etc...). Devemos muito a esse marinheiro hábil chamado José
Ristum e até mesmo outros postulantes a esta posição de líder, reconhecem nele
tal importância. Depois de sua saída da presidência, o CUT, tal como a
instituição casamento, vivia a sua “crise dos 7 anos”. Mas, como se fazia na
época, crises eram resolvidas sem separação, pela busca de novos atrativos
entre o casal, numa redescoberta de sentido. Nestas horas prevaleceu o heroísmo
e o espírito altruísta das diretorias que sucederam a estes 7 anos.
Aí vieram
os anos onde a pergunta ficava no ar: “O que somos mesmo, afinal, o Clube Universitário?”
Nos anos iniciais não se precisava respondê-la e isso era
natural. Vivia-se na euforia, em festa, na descoberta do próprio poder da
influenciar a sociedade à sua volta. Os jovens tinham aprendido seu poder
através de ídolos na música, as artes em geral e em outras formas de expressão
como a política, por exemplo. Mas no começo dos anos setenta o maior dos
influenciadores da massa juvenil já dizia “o sonho acabou”. Não se entendia bem
naquela época essa frase. Quase ninguém sabia o significado, mesmo porque nem
se sabia que se estava “sonhando”. Estudantes sonham muito e em sua utopia
contribuem decisivamente para a resistência “democrática” das idéias que são
passadas de geração em geração.
Para nós, a pergunta inicial se transformou então em: “Por que continuar?”
Muitas vezes não verbalizadas, estas perguntas certamente
habitavam corações e mentes. E o CUT continuou sua magia!
A primeira geração do Clube pode ser chamada de heroica Seus
atos, como a dos heróis são muitas vezes movidos por puro instinto.
De 70 a 75, o mundo parecia desfrutar as vitórias
conquistadas nas batalhas da década passada. Entre nós brasileiros respirava-se
o milagre brasileiro, até Copa do Mundo nós ganhávamos. Mas por trás das
aparências algo parecia ainda não resolvido e a panela de pressão voltou a
esquentar entre os estudantes. O movimento estudantil tomou novas forças e
arrastou um novo exército para fora do campus e nessa onda surge a segunda
geração do Clube Universitário, que não sabia responder à pergunta
existencialista inicial, mas que tinha outras muitas perguntas a serem
respondidas, muitas delas sem muito a ver com a pacata, provinciana, religiosa
e carente Tambaú.
Estes jovens pitorescamente chamados de moleques pelos mais
reacionários souberam reagir desafiadoramente a esta provocação. Mas sabiam
também fazer festa, afinal de contas eram eles que enfeitavam o Bolinha desde a
gestão do Din Biasoli, apesar de não poderem entrar à noite. As Semanas
Universitárias, injetadas por este sangue novo, foram se agitando
progressivamente e incorporando uma preocupação com a cultura engajada na
realidade, de uma maneira um tanto mais radical que suas predecessoras. Com
isso ganhávamos além de incontáveis admiradores, sedentos por alguma verdade,
também muitos adversários ferrenhos, preocupados com as repercussões de tantas
reivindicações.
As reações contra as atuações mais radicais sempre
incomodaram os donos do poder, isto não é privilégio da nossa época. No plano
musical inventaram até a “discoteca” para substituir o perigoso Rock, para nos
fazer dançar, dançar, dançar...
E foi o que aconteceu, nós dançamos, efetivamente. Depois de
uma histórica reunião de mais de 6 horas de duração, onde pela primeira vez
duas chapas de ideologias diferentes disputavam a diretoria, a ala conservadora
venceu e toda aquela energia se dissipara em pleno auge, quase que pronunciando
os resignados anos oitenta, que viriam com posturas políticas menos radicais e
sendo substituídas por posturas existencialistas e individualistas.
A partir daí, o CUT viveu desta disputa de contrários e isto
alimentou a fornalha. A fogueira das vaidades queimou ainda por um tempo. O
inimigo que antes era comum e unia a estudantada agora estava sentado ao seu
lado. Era preciso aprender a conviver com isso, afinal o CUT instintivamente
estava acima da disputa.
Até que um dia a madeira se consumiu quase por completo,
mesmo por que o Brasil já era outro, vivíamos a distensão de Geisel. Veio então
a época da diluição de responsabilidades, das “comissões organizadas”, em
substituição à figura despótica do presidente. A terceira geração do CUT começa
mais preocupada com a contestação da autoridade do que com propriamente a
ideologia. A patrulha ideológica cai de moda e é substituída pela pluralidade
de opinião.
Mas como bons latinos que somos e quase que como repetindo
aquela historia de renúncia de Jânio, depois de experiência parlamentarista,
sempre retornamos ao presidencialismo. Estamos sempre à procura do salvador da
pátria e é assim também no nosso Clube. Daqueles que aceitaram com gosto ou
mesmo a contragosto este despótico título de presidente, cita-se:
José Ristum (7 anos), José Gatto Neto, Castor Nogueira
Sobreira (2 anos), Geraldo Alves Filho, Edson Fernando Celestino, Fernando José
Martinelli, Djalma Palma Pinto (2 anos), Delduque Palma Pinto, Geraldo Medeiros
Brandão de Mendonça, Carlos Teani Freitas, Geraldo Sebastião Antonio Biasoli
Alves, Marcelo Salum Ferreira (comissão), Rosana Pádua Bretas, Jefferson Rossi
do Prado (comissão), José Edson Carvalho Martinelli (comissão), Mario
Providello Esteves, Paulo Rogério Bolognesi Rocco, Paulo Ricardo Morandim,
Teresa Cristina Cabral Santana, José Ettore Martinelli, Alexandre Neri Xavier,
Lourice Cristina Martinelli Gomes.
E aproveitando tanto revival dos anos sessenta, com vestido
tubinho, pó de arroz, blushing, rimel, cílios postiços, calça boca-de-sino,
cores psicodélicas, maiôs Catalina, maquiagem da Helena Rubinstein e tudo mais
que se tem direito, não custa sonhar com a volta da rainha dos universitários,
assim como foram:
Iolanda Nicolella, Fernanda Maria Carrara, Maria Francisca
Palma Pinto, Lélia Maria Gatto, Deise Bassanezzi, Eliana Martinelli, Eliana
Giorgetto, Angela Maria Biasoli, Casta Maria de Sordi Sobreira, Marcia
Nicolella, Monica Uliana, Lenise Gatto Rizzatti, Cristina Ricciardi, Mariangela
Favaretto, Rosane Araujo, Maria Isabel de Mello Biasoli, Angela Segatto
Rizzatti e Meli Regina Fioravante Pinto.
A 3° geração do CUT, diferentemente do heroísmo da primeira e
do radicalismo empreendedor da segunda, tenta levar o mundo encarando de forma
mais branda seus conflitos. Ela vai ficar como a herdeira competente, que sabe
levar o nosso barco já imenso, pelas águas revoltas, com o mesmo sonho, talvez,
daquele astuto homem do mar, o qual eu gostaria de convidar agora a participar
dessa festa, que é de todos nós, mas principalmente dele que tão habilmente
levou o CUT e mais do que isso, nos ensinou posteriormente quais os segredos
desses mares.
Delduque Palma Pinto


