Entre tantas e tantas curiosidades. Entre tantas histórias e lendas. Entre tantos anos entrelaçados em quase cinquenta Semanas Universitárias Tambauenses, resolvi pesquisar em arquivos pessoais, uma das marcas da Seunit, quer dizer, a própria marca da primeira Semana Universitária do país: aquele rapaz com cara de intelectual que adora um papo-cabeça, curte MPB, rock e um pouco de blues e está sentado sobre vários livros desde algum tempo perdido entre 1966 e 1969.
Segundo o criador da Seunit, José Ristum, a idéia do “bonequinho” sobre os livros foi de um amigo dele, um dentista de Uberaba, em uma das primeiras edições da Semana. Partindo daquela idéia, o artista plástico Joeldene José Prado, o Zito, desenhou esta que ficou conhecida como a versão oficial do logotipo da Seunit.
Encontrei várias versões do “rapaz” em cartazes, jornais, convites e programações. Pode ser que uma busca mais minuciosa corrija alguma falha que, por ventura, tenha escondida alguma outra versão inusitada. Mas neste primeiro mergulho nos papéis amarelados foi o que encontrei. Algumas diferem somente na cor, o que não deixa de ser curioso, em épocas que somente havia o trabalho tipográfico que utilizava clichês de chumbo para imprimir os desenhos.
O logotipo da Seunit de 1975 que estampava o cartaz da 12ª Semana Universitária, um dos primeiros a ser impresso em vermelho.
Em 1978 foram utilizados três logos. O primeiro foi impresso em papel vegetal para um diploma dado aos participantes da Seunit. O segundo foi confeccionado para o cartaz em xilogravura (que foi reeditado em 1992) e apresentava o rapaz da Seunit sobre oito livros. O terceiro logotipo foi desenhado à mão (sobre 2 livros) na capa do folheto especial “Clube Universitário Tambauense – 15 Anos”.
Em 1979 apareceu o rapaz da Seunit “parindo” o polêmico jornal “Panela de Pressão”, na capa do mesmo. Os exemplares do jornal foram considerados subversivos e queimados. Restam poucos exemplares.
Em 1980, a 17ª edição trouxe o cartaz mais clássico da Seunit (foto), reeditado por vários anos, confeccionado em silk pelo Zito Prado. Aqui aparecem os oito livros.
Na 30ª Seunit, André Casaca elaborou um convite com o logo modernizado para comemorar a data. A calça e a camisa foram feitas em colagem de papel camurça azul e amarela. O mesmo artista desenhou uma calça estampada para o jornal especial “Na Parede da Memória”, publicado no mesmo ano de 1993.
Ainda nesta edição, um troféu foi entregue aos ex-presidentes do CUT e trazia o logo confeccionado em durepox e pintado em cobre.
Em 2001, ano em que a 38ª edição aconteceu, três novos desenhos do logotipo da Seunit entraram em cena. Um deles, talvez sem querer (um fotolito ao contrário na gráfica), deixou o “rapaz” canhoto. O segundo, da programação, com uma calça vermelha e a camisa preta. E o terceiro, um grafite desenhado na parede do Catiguria pelo João do Prado, filho do Zito. Neste último, outro rapaz canhoto aparece ao fundo.
Na 39ª edição, o rapaz foi colocado na esfera azul da Bandeira Nacional estilizada, desenhada por João Baby e colorizada por André Rocco.
Nos quarenta anos da Seunit, o logo apareceu dentro de um "papiro" na programação. Na 41ª foi desenhado sobre o planeta Terra que, por sua vez, foi colocado dentro de uma espécie de anel dourado.
Em 2005 João do Prado volta a trabalhar o logo de seu pai e desenha o rapaz da Seunit cercado de instrumentos musicais, personas teatrais e artigos esportivos, representando tudo o que deveria ter numa Semana Universitária.
No ano seguinte ele volta para dentro da Bandeira. Na 44ª Semana Universitária de novo está com a Terra ao fundo.
A programação da 45ª edição já prenuncia o "domínio" das bandas naquele ano e o rapaz aparece na frente de enormes caixas de som.
Para terminar a viagem, pelo menos por enquanto, no folder do ano passado o rapaz está canhoto novamente.