Paulo Rogério B. Rocco
Escrever sobre a Seunit - Semana Universitária Tambauense é escrever sobre a história de algumas gerações. É lembrar shows, peças teatrais, palestras. É recordar poesia. É observar jornais queimados, entrevistas feitas, pensamentos rasgados. É viver o início da ditadura, a Nova República, as Diretas Já, FHC e a eleição do sindicalista.
Seunit é baile de encerramento na SAT, é Catiguria no Casarão, é frio de rachar. Seunit é correr atrás do tesouro, competir na gincana – vestir centenas de roupas num carinha só ou colocar dezenas de pessoas num fusca.
Viver Seunit é gostar de escrever no mural do bar. É lembrar poemas da Jiló e ver o João do Prado tocar violão. Seunit é o Duca, o Djalma e o Zé Eli procurando blackbirds no ar, sonhando sedes próprias, lançando o “Panela de Pressão”. Seunit sempre foi o Zé Ristum acreditando que ideais são possíveis de se alcançar.
Pensar Seunit é ver aquela turma posando em frente ao Cine Rio Branco (foto) – que meses depois iria virar pó. Cantar Seunit é MPB em festival, rock, Beatles (que lançavam seu primeiro LP também em 1963), Stones e Mutantes. Transformar Seunit é crer que ela, quase aos 50 com corpinho de 20, vai transcender – ou já o fez – o sonho de ser eterna.
Gostar de Seunit é chegar no centro “cultural” e dar de cara com uma banda que você nem curte muito, mas vai lá porque é Seunit. Porque tem mágica no nome. Porque se alteram os gostos, diversificam-se as cabeças. Porque mudam a estações, mas na Seunit é sempre frio.
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