terça-feira, 30 de abril de 2013

A Véspera e o Jubileu


Paulo Rogério B. Rocco

A 24° SEUNIT, sob a presidência de Mario Providello Esteves, chegou tímida como quem não quer nada e logo no primeiro dia já mostrou que algo novo ia acontecer. O Catiguria muda de endereço e anuncia o que virá pela frente: uma das melhores Semanas Universitárias dos últimos anos.

Blá-blá-blá geral na cidade. Todo mundo participava de tudo. Jovens casais. A SEUNIT vira uma grande festa cultural para muita gente que não participava nos anos anteriores. Todas as noites, som ao vivo. Todas as tardes, jogos e gincanas, samba, suor e cerveja.

As noites chegavam para arrasar. Além de duas palestras importantes e três bailes, quatro peças teatrais foram apresentadas naquele ano: “O Eterno Vagabundo”, com o grupo TAT, “Zumbi”, com o grupo de Araras. “Tribobó City”, de Maria Clara Machado, com direção de Lucia Vitto e a primeira grande produção do Grupo Curtura de Teatro: A peça “Páginas Passadas”, que revelou o talento de João Edson Aguiar.

O Jubilei de Prata do CUT foi preparado por nós durante todo o primeiro semestre de 1988. Tudo tinha que sair dentro do planejado. A responsabilidade era grande.

Começamos a SEUNIT dos 25 anos com um inesquecível show com “Beatles Forever”. No dia seguinte ao show, aconteceu o primeiro Almoço de Confraternização do CUT, no Ipê Tênis Clube e uma missa em Ação de Graças pelos 25 anos do Clube Universitário. 

Na área teatral, um grupo de São João da Boa Vista apresentou “Arlequinal”, de Mario de Andrade e o Grupo Curtura encenou “Édipo Rei”, de Sóphocles.

Uma palestra com o professor Giovanni Rota, de São Paulo, com o tema “Parapsicologia”, foi uma das grandes atrações campeãs de público. Centenas de pessoas foram a sede do Sindicato Rural ouvir sobre o tema.

O baile de encerramento aconteceu com a banda Nova Imagem, mas a grande noite da SAT foi a presença da banda Placa Luminosa que superlotou os salões da Sociedade Amigos de Tambaú.

A SEUNIT já tinha feito seus 25 anos. E só isso já era motivo para comemorações. Mas muita festa e cultura ainda estavam por vir.


(Artigo publicado por ocasião da 30ª Seunit)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Os Anos Oitenta

Cine Rio Branco sendo demolido.

José Edson Carvalho Martinelli

Sob a presidência de Geraldo Medeiros de Brandão Filho, começa a primeira SEUNIT da década de 80: a 17°.

Uma presença de grande destaque foi a do artista plástico Edson, da cidade de Jundiaí, que realizou várias oficinas de escultura em argila, entalhe em madeira, argila com revestimento em durepox, etc.

Outro inesquecível evento foi a apresentação da peça “O Pagador de Promessas”, protagonizada por João Batista Rossi Prado e por Mariângela Favaretto, sob direção da Rosangela Amélia Cunha. A peça causou grande sensação pois tratava a intolerância da igreja católica frente a outras religiões de caráter sinclético religioso. É bom lembrar que a adaptação desta peça para o cinema, foi o único filme nacional a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França.

Seguiu-se naquela SEUNIT, o tradicional Bolinha, uma roda de viola na sede do Esporte Clube Operário e o Baile de Encerramento com o conjunto Sombalanço.

Em 1981, o CUT assumiu uma proposta de realizar um trabalho conjunto com aqueles universitários que viajavam todos os dias para as faculdades próximas e moravam em Tambaú e realizar eventos o ano todo. As discussões se arrastaram, inclusive o Estatuto do Clube passou pela sua primeira reformulação.

A chapa deste ano, presidida por Carlos Teani Freitas, ressaltou os talentos locais. Um fato marcante foi a realização de entrevistas gravadas na Rádio Tambaú com ex-presidentes da SEUNIT.

Neste ano, o Cine Rio Branco já fechara suas cortinas. Os estudantes alugaram um barracão na Rua Balduíno Biasoli e improvisaram um cineclube. Foram projetados filmes em 16 mm, num projetor cedido pela paróquia local.

Outro destaque foi a realização de atividades com crianças, feitas pelo grupo Mamungo Mamulengo, do qual participava a universitária Neusinha Vidolim.

No bar Catiguria apresentaram-se músicos irreverentes como Cachoeira e Cometa, da cidade de São Paulo. Lembro que, no meio da apresentação o Cometa pulou o muro do Casarão – na intenção de voar - e caiu sobre uma velha de guarda-chuva.

Seguiram-se apresentações do Grupo Chásqui e de tambauenses como Pica-Pau e Modestinho e seu Conjunto.

Em 1982, a diretoria do CUT apontou que a SEUNIT vinha perdendo seu público e popularidade. Tião Medonho me disse que a primeira providência para reverter a situação foi transferir o Catiguria e o Bolinha para o Cine Rio Branco. Sebastião Biasoli Alves, o Tião Medonho, foi o presidente deste ano.

A programação começou com um evento que viria a se tornar tradição nas próximas Semanas Universitárias: a Caça ao Tesouro. Outro divertido evento foi o 1° Torneio de Pipas, que coloriu a Praça Santo Antonio. Seguiu-se uma corrida “tartaruga” de motos - ganhava quem conseguia chegar por último, uma gincana para casais e muita atividade esportiva.

Nessa SEUNIT estreou o Grupo TAT - Teatro Amador Tambauense - com a peça “Judas em Sábado de Aleluia”, de Martins Pena, sob direção de Sandra Bretas, cenografia de Paulo Barbin e Pedrinho Assalim, figurinos de Lana. 

A peça “Comendo Ilusões”, escrita e dirigida por tambauenses, misturava realidade e ficção e mostrava o cotidiano de trabalhadores de indústrias cerâmicas em Tambaú e as contradições nessa área.

Em 1983, o CUT tomou outros rumos. Ao contrário da costumeira divisão hierárquica da diretoria, com os cargos definidos, optou-se por uma divisão de trabalhos dentro de uma comissão, com o objetivo de descentralizar o poder. Assim, tínhamos uma comissão cultural, uma esportiva, uma de propaganda. Um dos aspectos deste ano era tirar o caráter personalista do presidente pois, como se pensava, a realização de uma SEUNIT envolvia muita gente. Muitos trabalhavam e, às vezes, seus nomes nem constavam na chapa.

Durante janeiro deste ano, foi montado um bar no prédio do Cine Rio Branco. Tudo caminhava para uma ótima SEUNIT. Era uma época em que os gostos e estilos musicais eram outros. Cantava-se muito Milton Nascimento, Beto Guedes, Caetano, Chico Buarque, Gilberto Gil e musica latino-americana. Éramos um pessoal que saiu de casa muito cedo, bebia em demasia para a idade que tínhamos. A boemia se encontrava no polêmico Bar Stones e se falava em concepção de vida, em política, estilos musicais, com violão e a poesia sempre sentados à mesa.

Somente o preconceito ficava do lado de fora, quando não a policia vinha fechar o bar. Foi ali que muitos acordaram para o mundo. Foi ali que muitos aprenderam a gostar da vida e a sofrer por ela quando a Jiló pegava seu violão e tirava da bagagem uma Ângela Rô Rô, um Geraldo Vandré ou um Vinicius de Moraes. Amava-se bastante. E se queria uma sociedade diferente. Foi uma geração que nasceu em 63 e 64 e viveu intensamente uma juventude no começo dos anos 80. Uma geração que não permitia a “morte ao pensamento”.

A precoce despedida da  Jiló causou uma sensação de que era ela que aglutinava a gente, que a energia que ela passava, vitalizava, instigava, nos unia por uma força inconsciente. Depois, ficou uma lacuna, muitos órfãos e uma saudade sem fim. E as pessoas começaram a se dispersar.

Foi sobre esse estigma que se realizou a 20° SEUNIT, marcada por vários aspectos. A contestação pairava sobre as estruturas sociais e sobre o próprio CUT. Radicalizaram-se posições. Existiu um ideal anarquista. Portanto, tudo que era existente era alvo de tiros, nem sempre certeiros.

Foi nessa Semana que se realizou o 1° Festival de MPB de Tambaú, no Cine Rio Branco. Promovido pela Rádio Tambaú, com a colaboração da Prefeitura e Comissão Municipal de Cultura, o Festival marcou o ano. Houve uma grande adesão de músicos de muitas cidades. Vaiou-se e aplaudiu-se. Criou-se torcidas. Depois das apresentações, os músicos se encontravam no Catiguria, que funcionou na casa ao lado do Posto 47 e a música ia até altas horas.

Foi nesse ano que o Grupo TAT encenou “Comendo Ilusões”, já citada.

A 21° SEUNIT começou conturbada. No ano anterior, não se apresentou nenhuma chapa para assumir a diretoria do CUT. Em 1984, dois meses antes para a Semana Universitária, um grupo de não-universitários e ex-universitários assumiu a SEUNIT.

Este ano o CUT foi presidido pela primeira presidenta de sua história, a Rosana Bretas, escolhida em uma reunião de caráter urgente, quando o Catiguria já estava em funcionamento no Casarão da Esquina.

Um dos objetivos daquele ano era a construção da bendita – ou maldita – sede.

Quanto às promoções culturais, os espetáculos foram apresentados na rua, pois achava-se que na SAT o povo ficava intimidado de comparecer a um teatro ou outro evento.

Um dos pontos altos, entretanto, foi reservado para a SAT: uma exposição de arte que expôs, entre outros, trabalhos de Bel Biasoli, do Julio Giorgetti, do Evaristo de Oliveira, do Paulino Barbin e do Pedrinho Assalim.

Neste ano não aconteceu o Bolinha e a boate foi substituída por musica ao vivo no Catiguria. Na primeira noite aconteceu o lançamento do  livro “No Meio Desta Vida”, de Neide Arruda. Havia um trecho no livro que dizia: “Cada conto, ao desenvolver-se é como um grito a sacudir a inércia dos acomodados com a situação social existente. Quando a sensibilidade feminina se expande e invariavelmente é esmagada por um mundo dominado por valores masculinos...” As entre-aspas talvez captem um pouco do sentimento de uma moçada que não deixou a SEUNIT se acabar.

Nesta Semana destaca-se ainda a exibição de filmes nacionais como “O homem que Virou Suco”, de João Batista de Andrade e de um jornal que publicava as melhores frases escritas no espaço livre do Catiguria. Foi daí que surgiu a propaganda-lamento: “Uma cidade sem cinema é como um quarto sem janela”.

A 22° SEUNIT apresentou um evento já no ano anterior à sua realização, em agosto de 1985. Foi realizado um museu histórico com vários objetos cedidos para o evento.

Na Semana propriamente dita, aconteceram teatro de rua, exposições de arte e som ao vivo no Catiguria.

Na SAT aconteceu a volta de “Pluft, o Fantasminha” e “Viva a República!” que marcaram a estréia do Grupo Curtura de Teatro dentro da SEUNIT. O Grupo Estréia de Ribeirão Preto trouxe a peça “Lisístrata”. Os tambauenses Ercy Ayala e Lannoy Dorin proferiram palestras na SAT.

Na 23° SEUNIT, em 1986, a diretoria criou o movimento “Pró- Centro Cultural”. Respaldados por um projeto de monografia em arquitetura, de autoria de Fernando Martinelli, o Canudo, cujo conteúdo básico consistia em realizar uma reforma no Cine Rio Branco, transformando-o em Centro Cultural, a diretoria colocou mãos à obra. 

O Grupo, formado por mim, pela Sara, pelo Paulinho Barbin, pela Monica, a Regininha, Silvaninha e o Jeffinho, engajou-se na proposta para levar adiante as negociações. Chegamos a fazer uma reunião dentro do próprio cinema, que já estava em péssimas condições. Todos saíram satisfeitos dessa reunião e promessas foram feitas por parte de autoridades políticas.

Quando a SEUNIT terminou e os universitários voltaram para suas cidades, o quadro mudou. Em vez de se realizar o projeto, que uma vez pronto iria reverter até uma verba para a Santa Casa local – proprietária do prédio do cinema, tudo foi por água abaixo. O prédio foi vendido e, após um mês, demolido. Muitos se sentiram traídos e outros saíram com os bolsos cheios. Não vale a pena dar nomes aos bois. O que vale é todo o esforço empreendido que sinalizou para a construção do Centro Cultural. Diga-se de passagem, sempre mal administrado.

Portanto, o que mais marcou a 23° SEUNIT foi a última tentativa do CUT de ter um espaço físico. Fora isso, acrescenta-se a peça “Pau-Brasil na Cabeça Deles” com a Companhia “Agnosart”, de Ribeirão Preto. A temática girava em torno de insensatez humana em tratar a cultura como algo secundário ou supérfluo. Era baseada em fragmentos do dramaturgo alemão Bertold Brecht, do qual o absurdo cotidiano e a visão crítica da sociedade sempre foram temas favoritos.

Também o Grupo Curtura esteve presente com a peça "A Operação Centenário", que se referia ironicamente aos 100 anos da fundação de Tambaú, criada e dirigida pelo Paulo Rogério B. Rocco.

No mais, aconteceu um encontro de corais e a presença de Fernando Morais, lançando seu Best-seller “Olga”. Finalizando, foi uma época onde os ideais não foram derrotados. Na música, ouvíamos Legião, e os versos cortantes de Renato Russo, disparando em todas as direções opressoras:

“Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser?
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis”.


(Artigo publicado em 1993, por ocasião da 30ª Seunit)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Entre Acordes e Histórias

Charge do Duca feita por João Prado.

(Entrevista publicada no Jornal “O Tambaú” no ano de 1988)

O nosso entrevistado de hoje é uma pessoa que eu admiro muito, tanto por suas idéias como por seu trabalho dentro de tantas Semanas Universitárias. Ele queria gravar a entrevista sentado na calçada, mas como meu gravador estava sem pilhas, tivemos que ir pra minha casa.

O Zé Eli estava conosco e enquanto eu preparava o gravador, o nosso entrevistado pegou meu violão e começou a soltar algumas notas pelo ar. Em poucos segundos, estava tocando e cantando “Yesterday”.

Foi nesse clima descontraído que ele nos contou como foi sua época no Clube Universitário. Uma época de sua vida que nunca irá sumir das suas lembranças.

Nosso convidado de hoje: Delduque Palma Pinto, o Duca.

CUT – Duca, eu gostaria que você fizesse um resumo de sua época como integrante do CUT e responsável por tantas Semanas Universitárias.

DUCA – A gente participou e eu digo “a gente” por que éramos basicamente uma equipe que começou junta e foi junta até o final. Depois, eu acredito que não se viu mais essa união, a não ser nas primeiras Semanas. Por exemplo: o Zé Ristum ficou sete anos na presidência, talvez pela novidade e empolgação que havia nas primeiras diretorias com o grupo que começou e continua junto pelo pioneirismo. Depois, a coisa foi perdendo o pique por vários motivos. Não só o desanimo contribuía pra isso, mas também motivos políticos. A SEUNIT passou por um período em que não existia muita programação cultural. Ela se resumia no Bolinha. A gente tinha uma necessidade que é típica de nossa geração: achar falta de algo cultural pra Tambaú. O sentido da SEUNIT, ao nosso ver, era esse, apesar de gostarmos demais da programação artística.

CUT – Você sempre cita que vocês eram uma turma. Quantos eram?

DUCA – Eu posso citar nomes: eu, o Zé Eli, meu irmão Djalma, o Eduardo (que ninguém conhece por este nome, que é o Bolô), o Fernando Martinelli (que é o Canudo), etc. Essas pessoas sempre estavam juntas e em torno da gente também havia aquele pessoal que se afinava com nossas idéias. Mas basicamente eram essas pessoas.

CUT – Você pegou a 16° SEUNIT. Como foi essa sua entrada no CUT?

DUCA – Em 1975, na Semana do Edson Celestino, a SEUNIT ressuscitou uma programação bem organizada. Acho que foi, de certa maneira, uma das Semanas mais bem organizadas e foi nessa época que a gente começou a participar enfeitando o Bolinha e ajudando em programações culturais.

CUT – Na entrevista do Zé Eli, ele comentou sobre a decoração das aranhas, no Bolinha. Como surgiam essas idéias de temas para a boate?

DUCA – As aranhas foi um dos nossos primeiros trabalhos. No ano do Dinho, o Canudo, pelo fato de ele ter afinidade nessa área artística, começou a ter inúmeras idéias para decorar o Bolinha, com criatividade que nunca se viu. Foram vários temas. Um deles, a sociedade de consumo foi magnífica. No teto havia vários objetos pendurados, representando o consumo. Havia até um para- lama de fusca e umas 80 garrafas de Coca, que até hoje é o maior símbolo da sociedade de consumo. E nas paredes foram pintadas várias mãos tentando pegar os objetos no teto. As aranhas foi a primeira, essa dos produtos a segunda e a terceira foi São Paulo de cabeça pra baixo. Eram caixas de papelão também penduradas no teto, cada uma de um tamanho, simulando prédios da cidade de São Paulo. Era um efeito visual fantástico. A gente começou, com essas idéias, a passar alguma coisa a alguém. Alertar que mesmo coisas “sem importância” poderiam ter um significado mais profundo. Nosso trabalho era sempre feito, bem ou mal, suando ou não, era sempre realizado.

CUT – Voltando ao tema de sua entrada na diretoria do CUT. Conte mais um pouco de como isso ocorreu.

DUCA – O Edson pegou a diretoria durante um ano e depois a diretoria inevitavelmente se dissolveu. O CUT ficou nas mãos -  como o Zé Eli citou -  de “moleques” como éramos chamados por pessoas, que não interessa agora citar nomes. Há sempre o conflito entre o grupo que tá saindo e o que tá entrando. Eles tiveram que passar a bola para os “moleques”. Só que esses “moleques” não eram dóceis, nem alienados, como eles imaginaram. Nós demos muito trabalho para eles, tanto que depois de quatro anos, esse trabalho foi culminar naquele fato que o Zé Eli considera o maior acontecimento da SEUNIT, que é aquela famosa reunião de seis horas e meia.

CUT – O Zé Eli também citou o fato do jornal “Panela de Pressão” e a “Santa Inquisição”. Qual sua opinião sobre esses fatos?

DUCA – “Santa Inquisição” era uma época em que certas pessoas estavam no poder. Não vou lembrar quem fez “Santa Inquisição”, nem aqui nem na Europa na Idade Média, pois estaria dando nomes aos bois. O nome é apropriado, mas as épocas eram diferentes. Ninguém chamava a gente de bruxos e nem queimava a nossa turma. Mas queimaram o nosso trabalho, nossas idéias impressas num papel. E queimaram sem nenhum pudor. Isso foi literalmente feito.

Foram queimados três mil exemplares do “Panela de Pressão”. Ele era um jornal que, se você o pegasse em 1979, ia achar pesado, pois era uma linguagem de Centros Acadêmicos de faculdades de São Paulo. Mas depois de dois anos, se você pegasse o jornal e o comparasse com a linguagem da Folha ou do Estado, esse fato de ser pesado ou não, já não existia, pois os grandes jornais já começavam a adotar uma linguagem mais incisiva; era uma mão de abertura. Eles já falavam de certos assuntos que eram tabus na época de repressão mais pesada. A fogueira que esses exemplares ajudaram a fazer deu pra aquecer o inverno de muita gente. Imagine como era o fogo de três mil exemplares! Em 79, havia muito medo de se falar as coisas e havia também muita pressão. Eu ouvi de uma autoridade de Tambaú certas ameaças que eram difíceis de serem assimiladas na idade que eu tinha. Publicamente, esta é a primeira vez que falo sobre isso, mas, segundo essa autoridade de Tambaú, havia uma prontidão do Exército de Pirassununga para invadir Tambaú. Isso, para um ouvido “ingênuo” em 79, era ameaçador. É lógico que isso não era verdade, mas ouvir isso no gabinete dessa autoridade é muito forte. Não preciso nem contar que autoridade era pois o Legislativo, que eu saiba, não tem gabinete aqui em Tambaú. Pessoas com poder existem em todos os lugares. E com isso você via a repressão de perto. E essa repressão existiu aqui de fato, pois ninguém queima três mil exemplares por engano.

CUT – Você publicou nos 15 anos de CUT um artigo intitulado “Para Ler, Refletir, Criticar, Divulgar e Guardar”. Fale-nos sobre ele.

DUCA -  Nesse trabalho, eu acho que o mais importante é o verbo “guardar”, isto é, se alguém guardou e leu e lê, vai perceber que muitas daquelas perguntas ainda estão no ar. Qual é o sentido do CUT em Tambaú? O que ele fez numa cidade deste tamanho? Por que a SEUNIT acontece nas férias, quando pessoal quer mais é se desligar daquela casa que é a faculdade? Todas estas perguntas valem pra hoje. O CUT não morreu. Ele está no inconsciente coletivo de Tambaú. No frio de julho, tem que ter SEUNIT. Temos que ir tomar um vinho quente no Catiguria...

CUT – Duca, há muito eu tenho uma curiosidade pra saber por que nosso bar se chama Catiguria. De onde veio esse nome? Quando ele nasceu?

DUCA – O Grupo Chásqui, atual Raíces de America, veio tocar na SEUNIT e o Fredinho, um dos integrantes do grupo, vinha e ficava durante toda a Semana. Ele tinha um sotaque gostoso da Ilha de Marajó e uma “marca registrada” para definir algo gostoso. Quando alguma coisa era legal pra ele, ele sempre repetia a palavra “catiguria”. Tudo para ele era catiguria. O bar foi uma ideia de 1977 e quem participou na criação dele foi o Claudio e o Alfredo Rizzatti. Eles fizeram o barzinho onde antes havia aquelas duas árvores na SAT, que agora fizeram o favor de arrancar por que, provavelmente eram muito feias. Ali foi criado o bar, que era um balcãozinho com algumas mesas e chão pra turma sentar. E neste ano o Grupo Chásqui veio pela segunda vez e o Fredinho era a maior conta do bar. Ele bebia muito e chegava numa certa hora da noite, ele começava a falar “catiguria” um atrás do outro. Uma hora ele virou para o balcão, tava o Alfredo e o Cláudio lá dentro e disse: “Mas esse bar é catiguria”. Ele já tava no auge do fogo e todo mundo parou e ficou olhando pro Fredinho. Por que não batizar o bar de catiguria? No dia seguinte, pendurada numa das árvores, já havia uma placa de madeira escrita “Catiguria”.

Apesar de ir pra vários lugares diferentes, a cada ano, ele continua com o mesmo nome. Eu acho importante manter essas tradições. É lógico que cada grupo quer colocar suas ideias a cada ano, mas acho muito importante preservar a história do CUT. Acho também de grande importância essa sua ideia de ir atrás da história, de pessoas que podem contar historias do CUT. É ótima essa busca do passado para se preservar o verdadeiro sentido de cada coisa que existe dentro do CUT.

CUT – Antes de você pegar a diretoria, você era responsável pela parte de propaganda da SEUNIT. Vocês faziam um trabalho de divulgação em todas as cidades da região. Como era essa fase de colaborador ativo, depois a de presidente e vice-presidente? Qual a diferença entre elas?

DUCA -  A diferença era a união do grupo. Apesar de muitos serem contra a formação de diretoria formal, isso funcionava. Na nossa época, o presidencialismo era uma forma de governo militar e a gente era contra. Mas para funcionar tinha que haver separação de cargos e encargos. Essa forma de comando sempre foi discutida, mas com funções separadas havia também responsabilidades separadas. Se houvesse falhas, havia a quem responsabilizar. Chegou a existir um grupo de propaganda e eu era o chefe desse grupo. Esse grupo, como os outros, chegaram a funcionar, pois havia união das pessoas. Você perguntou a diferença entre as fases. Eu apontaria melhor um fator comum: a união. Existem Semanas, ou existiram, que, como não havia diretorias formais, não houve atas de reuniões que deixassem para outros anos, documentos importantes para a historia do CUT. Apontando agora a diferença entre as fases, eu citaria exatamente os cargos dos quais participei. Em cada um havia uma responsabilidade. Era assim comigo e com todos. A gente sabia a quem cobrar as falhas e a quem dar os méritos.

CUT – Como você encara as ultimas Semanas Universitárias em relação aos anos passados?

DUCA – Na última reunião do ano passado, quando se elegeu a atual diretoria, aconteceram coisas que me fazem tachar aquela reunião de “engraçada”, pois foi uma reunião que foi bem até o ultimo minuto. No último instante, quando se pensava haver duas correntes bem definidas para disputar a diretoria, a coisa se dispersou. O grupo que fazia a oposição à diretoria daquele ano não existiu de verdade. Ele só conseguiu se manifestar de maneira pouco produtiva, pichando até as paredes do próprio Catiguria. Eu penso que, quando há algo a dizer, que se diga pela frente. E se você tiver força suficiente para chegar a fazer uma oposição tão forte e formar um grupo que obedeça às regras daquele jogo que está sendo jogado, no caso a SEUNIT, aí sim poderia ser algo produtivo. Mas aquelas pessoas na hora do “vamo-vê”, quando  as atenções se voltaram pra elas, parecia que não havia ninguém ali. Oposição tem que existir, mas deve ser efetiva, sistemática. Até que você consiga estar do lado de quem faz a coisa e sofrer também uma oposição. Eu me afino com muitas das idéias de oposição, mas não é por isso que eu concordo com alguns métodos. Esse tipo de oposição que ocorreu no ano passado, reflete muito a intelectualidade de hoje em dia. Na hora em que o holofote está no palco e se vira para a plateia, ela se levanta, pede o ingresso de volta e sai do teatro.

CUT – Duca, são 25 anos de CUT. O que isso significa pra você? Quais suas expectativas?

DUCA – Eu gostaria que a coisa fosse melhor divulgada, que fizessem mais propaganda. Nunca é demais a propaganda. Tem que ser amplamente divulgado o Jubileu de Prata do CUT. Essa divulgação mostra às pessoas que algo está acontecendo. Sempre foi difícil brigar com a novela das oito da Globo. É difícil brigar com algo que entra nas casas de todos, todos os dias. Tem que ser feita muita propaganda. Se você quer que alguém escute alguma coisa tem que falar mais alto do que essa pessoa já está ouvindo de outros. 25 anos é uma festa. Todos tem que participar dela.

CUT – O que mais te marcou em todos esses anos?

DUCA – Eu acho que me marcavam mais as noites em que nós ficávamos tocando violão e cantando depois que acabava o Bolinha (novamente o Duca dedilhava canções no violão), mas penso que o que mais me marcou foi conhecer o Paulo Vanzolini. Isso foi inesquecível para mim. Fora isso, os teatros também foram marcantes.

CUT – Você sente, hoje, a ousadia dos grupos atuais da SEUNIT?

DUCA – Ousar significa você estar à frente do seu tempo. Você está dizendo aquilo que é pra dizer. Você está na frente no sentido de que é você que tem de dizer. Aí, aparece aquela difícil pergunta de ser respondida: por que sou eu que tenho de ir lá falar? No nosso tempo isso não existia. Esse é o maior fator de desunião. É nesse ponto que as pessoas de hoje não ousam.

CUT – Na sua época foi criado o GTS. O que era?

DUCA – GTS era um grupo de apoio para que pessoas começassem a se interessar pelo CUT. Significava Grupo de Trabalho Secundarista. Foi com surpresa e alegria que eu recebi a noticia que existe em Tambaú algo chamado Grêmio Estudantil. Essas pessoas estão atuando dentro de sua área, que é a escola e um dia poderão estar dentro do CUT. Seria uma outra fase de sua vida, mas que sempre ficaria por cima o propósito que eles têm agora: agir por um ideal...

Ainda com o meu violão e espalhando algumas notas, o Duca chegou ao fim da entrevista. Isto é, eu cheguei ao fim das perguntas, pois, se tivéssemos tempo para contar tudo, mas tudo mesmo, que eu aprendi com esse bate-papo, eu levaria na certa uns 25 anos... E nesse meio tempo mais história ia rolar, mais canções iam tornar-se hinos. Afinal, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”...

Paulo Rogério B. Rocco

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O Arquivo Vivo


Rainha do CUT participa de Desfile em 1975.
(Entrevista publicada no Jornal “O Tambaú” no ano de 1988)

Nosso entrevistado de hoje: José Eli Costa.

CUTJosé Eli, você é considerado um arquivo-vivo da SEUNIT, por ter informações e conhecimentos sobre várias Semanas Universitárias. Na verdade, de quantas você participou? Faça um resumo desses anos.

JENa época em que éramos secundaristas, não podíamos participar do Bolinha, somente nas atividades culturais. Isso despertava em nossa turma um desejo enorme de sermos universitários e poder participar ativamente da SEUNIT. Na Semana em que o Castor Sobreira foi presidente, nós começamos a ajudar o pessoal do CUT, vendendo ingressos, ajudando na decoração e em outras coisas. Hoje em dia não há esse desejo de fazer parte do CUT, de participar ativamente da vida universitária. Como também não há interesse de nenhuma facção política de ajudar a manter vivo esse Clube Universitário.

No ano em que o Geraldo Alves Filho foi o presidente, começamos a participar mais diretamente. Decoramos o Bolinha com aranhas e teias espalhadas pelo telhado e pelas paredes. Isso teve um visual fantástico. Depois veio o Edson Celestino e foi aí que os secundaristas começaram a ter acesso mais ativo na SEUNIT. 

Com o Fernando Martinelli pegamos a diretoria do CUT. Aconteceu numa época em que uma pessoa disse que o CUT iria passar para as mãos de “moleques” e nós pegamos a direção justamente para mostrar que os “moleques” eram capazes de organizar uma SEUNIT. Muitos de nós já estavam fazendo faculdade em São Paulo. E à partir daí começa - vamos dizer assim - uma nova ideologia dentro do CUT.

Depois veio a 15° SEUNIT, presidida pelo Djalma e com ele a diretoria e o grupo se efetivaram. O grupo sentava, discutia e dividia trabalho. Foi realizado um organograma com a distribuição das tarefas. Assim, se uma parte da SEUNIT não ia bem, havia alguém que era responsável pela falha.

Nós já nos preocupávamos em seguir uma linha que fugia do “elitismo” e que procurava objetivar uma atuação mais próxima da realidade. Era a época  da repressão e nesse contexto, concluímos que, há 17 anos, com todas as dificuldades, o CUT existia e tínhamos que lutar por ele. 

A principio, o CUT colocou-se como uma opção de vanguarda. No decorrer de sua história, entretanto, o CUT voltou-se para si, abstendo-se de provocar debates, de assumir posturas políticas.  Nós recebemos o CUT com essa visão. A SEUNIT tinha que ser uma festa. Procuramos não fugir da tradição mas, em meio a isso, procuramos também ampliar as visões do CUT como entidade. Procuramos deixar de lado aquele ar de superioridade classe média que tanto caracterizava o universitário brasileiro.

CUTQuais as maiores dificuldades enfrentadas pela sua turma?

JE – A tradicional falta de espaço, falta de verba, falta de sede, falta de compreensão de órgãos competentes e não-criação de um vinculo do CUT com a comunidade. O CUT é a primeira semente do gênero lançada no país e depois copiada em várias cidades. Acho que isso sempre é um ânimo para superar as dificuldades.

CUT Quais as contribuições da Secretaria Municipal da Cultura para as Semanas Universitárias recentes, já que você é o secretário?

JE Face ao pouco tempo de existência desta Secretaria e de todos os problemas relacionados com a cultura num país sem memória, a atuação desta Secretaria vem sendo feita naquilo que lhe é possível, ou seja, ajudado com transporte de teatros, cartazes, alimentação para convidados, etc. A parte do orçamento realizada mediante os anos anteriores sempre aumenta, mas a inflação é sempre maior, deixando a verba deficitária.

CUT – Há uma brincadeira que diz que você é o "vovô" da Semana Universitária. Na sua opinião, quem seria o verdadeiro “vovô” da SEUNIT?

JECom uma visão emocional e devido à sua participação em várias Semanas Universitárias, como apresentador, colaborador e sócio honorário do CUT, o Sr. Jacintho da Fonseca Pinto seria, não o vovô, mas a pessoa a quem o CUT teria como seu membro mais antigo. Um homem que continuará jovem para sempre.

CUT – Quais as funções que você ocupou durante as Semanas que você participou?

JEDentro das diretorias, sempre fui secretário. E, desde que saí, até hoje, participo como um universitário que sempre teve uma visão crítica na atuação dos trabalhos posteriores, sempre preocupado com as novas diretrizes do CUT.

CUT -  Qual o evento - ou os eventos - que mais marcou durante as Semanas Universitárias que você esteve na diretoria?

JE – Fora os eventos culturais, o que mais marcou foi uma reunião que, acredito, tenha sido a mais longa do CUT. Ela foi realizada no Casarão e o que marcou foi a reação causada pela postura do nosso trabalho quando lançamos o jornal “Panela de Pressão”, órgão de informação e debate do CUT - em 1979 , n° 1 e que ficou no 1° devido e determinados elementos defensores na época, de uma CUT apolítico e desvinculado de movimentos estudantis e que se sentiam incomodados com nossa ideologia de trabalho. O natimorto “Panela de Pressão” foi queimado pela “Santa Inquisição”. Trazendo de volta esse lamentável episodio do passado, gostaria, gostaria de citar um poema que estava escrito na primeira página do nosso jornal:

“CUT – Porque tudo que está aí precisa ser dito.
É preciso conhecer as consequências. Calar é uma posição
de espera. Espera que nunca finda, que não se modifica.
E para transformar é preciso saber. Está lançado o desafio.
Tambaú não é um pedaço sem importância na grande questão.
Existe a panela.

Discutir- dissecar- desvendar- unir- atuar.
Existe a pressão.”

(Entrevista realizada por Paulo Rogério B. Rocco)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Clube Universitário completa 15 anos

Cartaz da Seunit de 1978, com foto do muro sendo pintado. 

Para Ler, Refletir, Criticar, Divulgar e Guardar.

(Texto publicado em 1978)

Delduque Palma Pinto

Talvez não o fato do CUT completar 15 anos justifique o título acima, mas sim a necessidade de se rever seus ideais, propósitos e realizações de uma maneira crítica. Sem duvida, se seus primeiros idealizadores e também, todos os que de uma maneira ou de outra já passaram por ele, fizerem uma análise fria, verão que este clube foi além dos seus imagináveis limites, tanto no que tange às realizações quanto cronologicamente. 

De fato, olhando-se para o que é o CUT hoje, não se pode avaliar as dificuldades materiais e também ideológicas de sua implantação. Para entender isso, basta colocar-se no lugar de quem, por sentir uma determinada necessidade coletiva, tenha a intenção de levar em frente alguma ideia que se possa chamar de revolucionária. 

Será fácil sentir as dificuldades impostas por uma sociedade acomodada com sua falta de informação, com sua natural alienação e, consequentemente, com seus naturais preconceitos, a qualquer tipo de coisa que corte essa sua vantajosa estagnação.

Inicialmente, o Clube Universitário refletiu a realidade em que foi criado. Era uma realidade global no que diz respeito à situação universitária. Se a universidade hoje é privilégio de poucos, quem dirá quinze anos atrás, aliando-se a isto a dificuldade natural de um estudante do interior se fixar em centros maiores, principalmente no que tange à sua manutenção financeira. Refletiu esta realidade porque inicialmente também foi, como não poderia deixar de ser, um clube que levou por muito tempo e, diga-se de passagem, injustamente a imagem de um clube fechado. 

Mas isto é exatamente o oposto de um de seus principais objetivos, qual seja, o da congregação dos universitários no sentido de promover uma integração da população tambauense nas mais diversas manifestações culturais e proporcionar a esta mesma coletividade, através disto, meios de se obter um desenvolvimento de idéias novas, condição primordial para que um povo viva realmente e não somente sobreviva.

Se inicialmente o Clube Universitário refletiu a realidade tambauense e também a realidade geral, seria lógico que nos dias atuais ela também refletisse essas mesmas realidades. E reflete, quando a partir do momento em que ele foi aceito, passou-se a dar crédito às suas realizações, que são esperadas com um já maior interesse e participação. 

A exemplo disto, vem a aceitação do CUT como sendo de utilidade pública municipal em maio de 1977, por aprovação unânime da Câmara Municipal de Tambaú, indicação esta feita pelo vereador e ex-universitário Edson Fernando Celestino. 

Gradativamente, toda a população foi sentindo de uma maneira espontânea, que ela só tende a se beneficiar com a existência do CUT, que se não é tão ativo quanto poderia ser, pelo menos sua  contribuição para o aprimoramento da bagagem cultural de Tambaú se faz sentir em muitos setores de nossa sociedade.

Para se explicar a relativa inatividade durante um grande período entre uma Semana Universitária e outra e a falha no cumprimento de alguns de seus propósitos, deve-se primeiramente e acima de tudo, enveredar-se pelo penoso caminho da organização da diretoria e posteriormente da elaboração de sua mais expressiva realização, a SEUNIT. 

Um dos itens da organização de qualquer clube, deve estabelecer que seu presidente deva ser a pessoa que, no momento, reúna as melhores condições de bem representar as características do grupo que forma o referido clube.

Introduziu-se isto apenas para justificar o fato de que o presidente (e consequentemente toda a diretoria) de um clube universitário deva ser um universitário. No caso tambauense, essa diretoria poderia ter na sua constituição, membros ex-universitários, que também por estatuto fazem parte do quadro de sócios do CUT, mas o cumprimento das obrigações profissionais justifica a (vamos dizer assim) falta de tempo para se dedicar ao clube.

Posto que o órgão representativo maior do CUT é uma diretoria composta geralmente de universitários e que também (além de pelas circunstancias estes estudarem fora de Tambaú) suas atividades estudantis (que ocupam a maioria do seu tempo) só são interrompidas por ocasião dos dois períodos de férias anuais, pode-se sentir mais claramente as dificuldades de se encontrar tempo suficiente para que todos os itens da elaboração de uma Semana Universitária sejam cumpridos satisfatoriamente.

Dentro do Clube Universitário sempre existiu dificuldade no que diz respeito à reunião de seus integrantes, visando à organização da SEUNIT. Dificuldades estas que vão desde a falta de tempo já citada até o inexplicável desinteresse da maioria da classe universitária e ex-universitária na elaboração e participação das realizações do clube. 

Talvez essa omissão não seja tão inexplicável assim. Em julho do ano passado, por ocasião da 14° SEUNIT, reservou-se uma noite da programação para o debate “Propostas e Rumos do CUT”, onde se procurou depois de fazer uma revisão na história do clube e de seus propósitos, obter uma visão crítica dos defeitos e virtudes que são encontrados dentro do CUT e que tendem à dificultar ou facilitar a participação efetiva de toda classe estudantil em todos os setores de atuação, quando da organização de uma Semana Universitária.

Uma das conclusões básicas sobre o problema da participação, foi a de que existe ainda uma distância muito grande entre o grupo que organiza e o grupo dos demais universitários. O primeiro grupo citado é composto por aqueles que, por uma maior afinidade com os membros da diretoria, participam de uma maneira ativa, e o segundo pode ser dividido em outros dois subgrupos compostos, um de pessoas que não possuem essa mesma afinidade(e consequentemente não participam por constrangimento e outro de pessoas que, infelizmente, ainda não possuem o necessário espírito de conjunto (no caso, espírito universitário, termo este muito discutido atualmente).

O que se pode dizer acerca destes três grupos (os participantes, os participantes em potencial e os omissos é que eles não são perfeitamente quantificáveis, mas que, por circunstâncias da atual realidade estudantil, estão se modificando quantitativamente.

Os dois primeiros grupos têm na sua constituição a palavra-chave “afinidade”. Esta afinidade em outras épocas foi uma afinidade gerada por convivência. Hoje em dia, contudo, ela tende a se tornar uma afinidade de propósitos, sem dúvida muito mais positiva para o fortalecimento de uma congregação. Dito isto, conclui-se que (e isto é uma realidade) os dois grupos tendem atualmente para o primeiro.

SEUNIT retorna com apoio da Prefeitura Municipal e organizada por ex-universitários

A SEUNIT – Semana Universitária Tambauense volta a ser realizada neste ano. A organização é de um grupo de ex-universitários e conta com o a...