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| Rainha do CUT participa de Desfile em 1975. |
Nosso entrevistado de hoje: José Eli Costa.
CUT – José Eli, você é
considerado um arquivo-vivo da SEUNIT, por ter informações e conhecimentos
sobre várias Semanas Universitárias. Na verdade, de quantas você participou? Faça
um resumo desses anos.
JE - Na época em que éramos secundaristas, não
podíamos participar do Bolinha, somente nas atividades culturais. Isso
despertava em nossa turma um desejo enorme de sermos universitários e poder
participar ativamente da SEUNIT. Na Semana em que o Castor Sobreira foi
presidente, nós começamos a ajudar o pessoal do CUT, vendendo ingressos, ajudando
na decoração e em outras coisas. Hoje em dia não há esse desejo de fazer parte
do CUT, de participar ativamente da vida universitária. Como também não há
interesse de nenhuma facção política de ajudar a manter vivo esse Clube
Universitário.
No ano em que o
Geraldo Alves Filho foi o presidente, começamos a participar mais diretamente.
Decoramos o Bolinha com aranhas e teias espalhadas pelo telhado e pelas
paredes. Isso teve um visual fantástico. Depois veio o Edson Celestino e foi aí
que os secundaristas começaram a ter acesso mais ativo na SEUNIT.
Com o
Fernando Martinelli pegamos a diretoria do CUT. Aconteceu numa época em que uma
pessoa disse que o CUT iria passar para as mãos de “moleques” e nós pegamos a
direção justamente para mostrar que os “moleques” eram capazes de organizar uma
SEUNIT. Muitos de nós já estavam fazendo faculdade em São Paulo. E à partir daí
começa - vamos dizer assim - uma nova ideologia dentro do CUT.
Depois veio a 15°
SEUNIT, presidida pelo Djalma e com ele a diretoria e o grupo se efetivaram. O
grupo sentava, discutia e dividia trabalho. Foi realizado um organograma com a
distribuição das tarefas. Assim, se uma parte da SEUNIT não ia bem, havia
alguém que era responsável pela falha.
Nós já nos
preocupávamos em seguir uma linha que fugia do “elitismo” e que procurava
objetivar uma atuação mais próxima da realidade. Era a época da repressão e nesse contexto, concluímos
que, há 17 anos, com todas as dificuldades, o CUT existia e tínhamos que lutar
por ele.
A principio, o CUT colocou-se como uma opção de vanguarda. No decorrer
de sua história, entretanto, o CUT voltou-se para si, abstendo-se de provocar
debates, de assumir posturas políticas. Nós recebemos o CUT com essa visão. A
SEUNIT tinha que ser uma festa. Procuramos não fugir da tradição mas, em meio a
isso, procuramos também ampliar as visões do CUT como entidade. Procuramos
deixar de lado aquele ar de superioridade classe média que tanto caracterizava
o universitário brasileiro.
CUT – Quais as maiores
dificuldades enfrentadas pela sua turma?
JE – A tradicional
falta de espaço, falta de verba, falta de sede, falta de compreensão de órgãos
competentes e não-criação de um vinculo do CUT com a comunidade. O CUT é a
primeira semente do gênero lançada no país e depois copiada em várias cidades.
Acho que isso sempre é um ânimo para superar as dificuldades.
CUT – Quais as
contribuições da Secretaria Municipal da Cultura para as Semanas Universitárias
recentes, já que você é o secretário?
JE – Face ao pouco
tempo de existência desta Secretaria e de todos os problemas relacionados com a
cultura num país sem memória, a atuação desta Secretaria vem sendo feita
naquilo que lhe é possível, ou seja, ajudado com transporte de teatros,
cartazes, alimentação para convidados, etc. A parte do orçamento realizada
mediante os anos anteriores sempre aumenta, mas a inflação é sempre maior,
deixando a verba deficitária.
CUT – Há uma brincadeira que diz que você é o "vovô" da Semana Universitária. Na sua opinião,
quem seria o verdadeiro “vovô” da SEUNIT?
JE – Com uma visão
emocional e devido à sua participação em várias Semanas Universitárias, como
apresentador, colaborador e sócio honorário do CUT, o Sr. Jacintho da Fonseca
Pinto seria, não o vovô, mas a pessoa a quem o CUT teria como seu membro mais
antigo. Um homem que continuará jovem para sempre.
CUT – Quais as funções
que você ocupou durante as Semanas que você participou?
JE – Dentro das
diretorias, sempre fui secretário. E, desde que saí, até hoje, participo como
um universitário que sempre teve uma visão crítica na atuação dos trabalhos
posteriores, sempre preocupado com as novas diretrizes do CUT.
CUT - Qual o evento - ou os eventos - que mais marcou
durante as Semanas Universitárias que você esteve na diretoria?
JE – Fora os eventos
culturais, o que mais marcou foi uma reunião que, acredito, tenha sido a mais
longa do CUT. Ela foi realizada no Casarão e o que marcou foi a reação causada
pela postura do nosso trabalho quando lançamos o jornal “Panela de Pressão”,
órgão de informação e debate do CUT - em 1979 , n° 1 e que ficou no 1° devido e
determinados elementos defensores na época, de uma CUT apolítico e desvinculado
de movimentos estudantis e que se sentiam incomodados com nossa ideologia de
trabalho. O natimorto “Panela de Pressão” foi queimado pela “Santa Inquisição”.
Trazendo de volta esse lamentável episodio do passado, gostaria, gostaria de
citar um poema que estava escrito na primeira página do nosso jornal:
“CUT – Porque tudo que está aí precisa ser dito.
É preciso conhecer as consequências. Calar é uma posição
de espera. Espera que nunca finda, que não se modifica.
E para transformar é preciso saber. Está lançado o desafio.
Tambaú não é um pedaço sem importância na grande questão.
Existe a panela.
Discutir- dissecar- desvendar- unir- atuar.
Existe a pressão.”
(Entrevista realizada por Paulo Rogério B. Rocco)

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