segunda-feira, 1 de abril de 2013

Clube Universitário completa 15 anos

Cartaz da Seunit de 1978, com foto do muro sendo pintado. 

Para Ler, Refletir, Criticar, Divulgar e Guardar.

(Texto publicado em 1978)

Delduque Palma Pinto

Talvez não o fato do CUT completar 15 anos justifique o título acima, mas sim a necessidade de se rever seus ideais, propósitos e realizações de uma maneira crítica. Sem duvida, se seus primeiros idealizadores e também, todos os que de uma maneira ou de outra já passaram por ele, fizerem uma análise fria, verão que este clube foi além dos seus imagináveis limites, tanto no que tange às realizações quanto cronologicamente. 

De fato, olhando-se para o que é o CUT hoje, não se pode avaliar as dificuldades materiais e também ideológicas de sua implantação. Para entender isso, basta colocar-se no lugar de quem, por sentir uma determinada necessidade coletiva, tenha a intenção de levar em frente alguma ideia que se possa chamar de revolucionária. 

Será fácil sentir as dificuldades impostas por uma sociedade acomodada com sua falta de informação, com sua natural alienação e, consequentemente, com seus naturais preconceitos, a qualquer tipo de coisa que corte essa sua vantajosa estagnação.

Inicialmente, o Clube Universitário refletiu a realidade em que foi criado. Era uma realidade global no que diz respeito à situação universitária. Se a universidade hoje é privilégio de poucos, quem dirá quinze anos atrás, aliando-se a isto a dificuldade natural de um estudante do interior se fixar em centros maiores, principalmente no que tange à sua manutenção financeira. Refletiu esta realidade porque inicialmente também foi, como não poderia deixar de ser, um clube que levou por muito tempo e, diga-se de passagem, injustamente a imagem de um clube fechado. 

Mas isto é exatamente o oposto de um de seus principais objetivos, qual seja, o da congregação dos universitários no sentido de promover uma integração da população tambauense nas mais diversas manifestações culturais e proporcionar a esta mesma coletividade, através disto, meios de se obter um desenvolvimento de idéias novas, condição primordial para que um povo viva realmente e não somente sobreviva.

Se inicialmente o Clube Universitário refletiu a realidade tambauense e também a realidade geral, seria lógico que nos dias atuais ela também refletisse essas mesmas realidades. E reflete, quando a partir do momento em que ele foi aceito, passou-se a dar crédito às suas realizações, que são esperadas com um já maior interesse e participação. 

A exemplo disto, vem a aceitação do CUT como sendo de utilidade pública municipal em maio de 1977, por aprovação unânime da Câmara Municipal de Tambaú, indicação esta feita pelo vereador e ex-universitário Edson Fernando Celestino. 

Gradativamente, toda a população foi sentindo de uma maneira espontânea, que ela só tende a se beneficiar com a existência do CUT, que se não é tão ativo quanto poderia ser, pelo menos sua  contribuição para o aprimoramento da bagagem cultural de Tambaú se faz sentir em muitos setores de nossa sociedade.

Para se explicar a relativa inatividade durante um grande período entre uma Semana Universitária e outra e a falha no cumprimento de alguns de seus propósitos, deve-se primeiramente e acima de tudo, enveredar-se pelo penoso caminho da organização da diretoria e posteriormente da elaboração de sua mais expressiva realização, a SEUNIT. 

Um dos itens da organização de qualquer clube, deve estabelecer que seu presidente deva ser a pessoa que, no momento, reúna as melhores condições de bem representar as características do grupo que forma o referido clube.

Introduziu-se isto apenas para justificar o fato de que o presidente (e consequentemente toda a diretoria) de um clube universitário deva ser um universitário. No caso tambauense, essa diretoria poderia ter na sua constituição, membros ex-universitários, que também por estatuto fazem parte do quadro de sócios do CUT, mas o cumprimento das obrigações profissionais justifica a (vamos dizer assim) falta de tempo para se dedicar ao clube.

Posto que o órgão representativo maior do CUT é uma diretoria composta geralmente de universitários e que também (além de pelas circunstancias estes estudarem fora de Tambaú) suas atividades estudantis (que ocupam a maioria do seu tempo) só são interrompidas por ocasião dos dois períodos de férias anuais, pode-se sentir mais claramente as dificuldades de se encontrar tempo suficiente para que todos os itens da elaboração de uma Semana Universitária sejam cumpridos satisfatoriamente.

Dentro do Clube Universitário sempre existiu dificuldade no que diz respeito à reunião de seus integrantes, visando à organização da SEUNIT. Dificuldades estas que vão desde a falta de tempo já citada até o inexplicável desinteresse da maioria da classe universitária e ex-universitária na elaboração e participação das realizações do clube. 

Talvez essa omissão não seja tão inexplicável assim. Em julho do ano passado, por ocasião da 14° SEUNIT, reservou-se uma noite da programação para o debate “Propostas e Rumos do CUT”, onde se procurou depois de fazer uma revisão na história do clube e de seus propósitos, obter uma visão crítica dos defeitos e virtudes que são encontrados dentro do CUT e que tendem à dificultar ou facilitar a participação efetiva de toda classe estudantil em todos os setores de atuação, quando da organização de uma Semana Universitária.

Uma das conclusões básicas sobre o problema da participação, foi a de que existe ainda uma distância muito grande entre o grupo que organiza e o grupo dos demais universitários. O primeiro grupo citado é composto por aqueles que, por uma maior afinidade com os membros da diretoria, participam de uma maneira ativa, e o segundo pode ser dividido em outros dois subgrupos compostos, um de pessoas que não possuem essa mesma afinidade(e consequentemente não participam por constrangimento e outro de pessoas que, infelizmente, ainda não possuem o necessário espírito de conjunto (no caso, espírito universitário, termo este muito discutido atualmente).

O que se pode dizer acerca destes três grupos (os participantes, os participantes em potencial e os omissos é que eles não são perfeitamente quantificáveis, mas que, por circunstâncias da atual realidade estudantil, estão se modificando quantitativamente.

Os dois primeiros grupos têm na sua constituição a palavra-chave “afinidade”. Esta afinidade em outras épocas foi uma afinidade gerada por convivência. Hoje em dia, contudo, ela tende a se tornar uma afinidade de propósitos, sem dúvida muito mais positiva para o fortalecimento de uma congregação. Dito isto, conclui-se que (e isto é uma realidade) os dois grupos tendem atualmente para o primeiro.

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