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| Cartaz da Seunit de 1978, com foto do muro sendo pintado. |
Para Ler, Refletir,
Criticar, Divulgar e Guardar.
(Texto publicado em 1978)
Delduque Palma Pinto
Talvez não o fato do CUT completar 15 anos justifique o
título acima, mas sim a necessidade de se rever seus ideais, propósitos e
realizações de uma maneira crítica. Sem duvida, se seus primeiros idealizadores
e também, todos os que de uma maneira ou de outra já passaram por ele, fizerem
uma análise fria, verão que este clube foi além dos seus imagináveis limites,
tanto no que tange às realizações quanto cronologicamente.
De fato, olhando-se
para o que é o CUT hoje, não se pode avaliar as dificuldades materiais e também
ideológicas de sua implantação. Para entender isso, basta colocar-se no lugar
de quem, por sentir uma determinada necessidade coletiva, tenha a intenção de
levar em frente alguma ideia que se possa chamar de revolucionária.
Será fácil
sentir as dificuldades impostas por uma sociedade acomodada com sua falta de
informação, com sua natural alienação e, consequentemente, com seus naturais
preconceitos, a qualquer tipo de coisa que corte essa sua vantajosa estagnação.
Inicialmente, o Clube Universitário refletiu a realidade em
que foi criado. Era uma realidade global no que diz respeito à situação
universitária. Se a universidade hoje é privilégio de poucos, quem dirá quinze
anos atrás, aliando-se a isto a dificuldade natural de um estudante do interior
se fixar em centros maiores, principalmente no que tange à sua manutenção
financeira. Refletiu esta realidade porque inicialmente também foi, como não
poderia deixar de ser, um clube que levou por muito tempo e, diga-se de
passagem, injustamente a imagem de um clube fechado.
Mas isto é exatamente o
oposto de um de seus principais objetivos, qual seja, o da congregação dos
universitários no sentido de promover uma integração da população tambauense
nas mais diversas manifestações culturais e proporcionar a esta mesma
coletividade, através disto, meios de se obter um desenvolvimento de idéias
novas, condição primordial para que um povo viva realmente e não somente
sobreviva.
Se inicialmente o Clube Universitário refletiu a realidade
tambauense e também a realidade geral, seria lógico que nos dias atuais ela
também refletisse essas mesmas realidades. E reflete, quando a partir do
momento em que ele foi aceito, passou-se a dar crédito às suas realizações, que
são esperadas com um já maior interesse e participação.
A exemplo disto, vem a
aceitação do CUT como sendo de utilidade pública municipal em maio de 1977, por
aprovação unânime da Câmara Municipal de Tambaú, indicação esta feita pelo
vereador e ex-universitário Edson Fernando Celestino.
Gradativamente, toda a
população foi sentindo de uma maneira espontânea, que ela só tende a se
beneficiar com a existência do CUT, que se não é tão ativo quanto poderia ser,
pelo menos sua contribuição para o aprimoramento
da bagagem cultural de Tambaú se faz sentir em muitos setores de nossa
sociedade.
Para se explicar a relativa inatividade durante um grande
período entre uma Semana Universitária e outra e a falha no cumprimento de
alguns de seus propósitos, deve-se primeiramente e acima de tudo, enveredar-se
pelo penoso caminho da organização da diretoria e posteriormente da elaboração
de sua mais expressiva realização, a SEUNIT.
Um dos itens da organização de
qualquer clube, deve estabelecer que seu presidente deva ser a pessoa que, no
momento, reúna as melhores condições de bem representar as características do
grupo que forma o referido clube.
Introduziu-se isto apenas para justificar o
fato de que o presidente (e consequentemente toda a diretoria) de um clube
universitário deva ser um universitário. No caso tambauense, essa diretoria
poderia ter na sua constituição, membros ex-universitários, que também por
estatuto fazem parte do quadro de sócios do CUT, mas o cumprimento das
obrigações profissionais justifica a (vamos dizer assim) falta de tempo para se
dedicar ao clube.
Posto que o órgão representativo maior do CUT é uma
diretoria composta geralmente de universitários e que também (além de pelas
circunstancias estes estudarem fora de Tambaú) suas atividades estudantis (que
ocupam a maioria do seu tempo) só são interrompidas por ocasião dos dois
períodos de férias anuais, pode-se sentir mais claramente as dificuldades de se
encontrar tempo suficiente para que todos os itens da elaboração de uma Semana
Universitária sejam cumpridos satisfatoriamente.
Dentro do Clube Universitário sempre existiu dificuldade no
que diz respeito à reunião de seus integrantes, visando à organização da
SEUNIT. Dificuldades estas que vão desde a falta de tempo já citada até o
inexplicável desinteresse da maioria da classe universitária e ex-universitária
na elaboração e participação das realizações do clube.
Talvez essa omissão não
seja tão inexplicável assim. Em julho do ano passado, por ocasião da 14°
SEUNIT, reservou-se uma noite da programação para o debate “Propostas e Rumos
do CUT”, onde se procurou depois de fazer uma revisão na história do clube e de
seus propósitos, obter uma visão crítica dos defeitos e virtudes que são
encontrados dentro do CUT e que tendem à dificultar ou facilitar a participação
efetiva de toda classe estudantil em todos os setores de atuação, quando da
organização de uma Semana Universitária.
Uma das conclusões básicas sobre o problema da participação,
foi a de que existe ainda uma distância muito grande entre o grupo que organiza
e o grupo dos demais universitários. O primeiro grupo citado é composto por aqueles que, por uma
maior afinidade com os membros da diretoria, participam de uma maneira ativa, e
o segundo pode ser dividido em outros dois subgrupos compostos, um de pessoas
que não possuem essa mesma afinidade(e consequentemente não participam por
constrangimento e outro de pessoas que, infelizmente, ainda não possuem o
necessário espírito de conjunto (no caso, espírito universitário, termo este
muito discutido atualmente).
O que se pode dizer acerca destes três grupos (os
participantes, os participantes em potencial e os omissos é que eles não são
perfeitamente quantificáveis, mas que, por circunstâncias da atual realidade
estudantil, estão se modificando quantitativamente.
Os dois primeiros grupos têm na sua constituição a
palavra-chave “afinidade”. Esta afinidade em outras épocas foi uma afinidade
gerada por convivência. Hoje em dia, contudo, ela tende a se tornar uma
afinidade de propósitos, sem dúvida muito mais positiva para o fortalecimento
de uma congregação. Dito isto, conclui-se que (e isto é uma realidade) os dois
grupos tendem atualmente para o primeiro.

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