domingo, 24 de março de 2013

E tudo começou assim.

Uma das famosas decorações do "Bolinha", na SAT. 

(Entrevista publicada no Jornal “O Tambaú” no ano de 1988)

Paulo Rogério B. Rocco

Este nosso bate-papo aconteceu no sábado, dia 9 de abril e, através de algumas perguntas, o nosso amigo José Ristum contou tudo. Você vai saber agora como nasceu o CUT - Clube Universitário Tambauense - e para que ele foi criado.

PR - José Ristum, como nasceu a idéia de formação de um clube universitário em Tambaú, que não possuía e não possui uma universidade?

JR – O CUT não tem nada a ver com universidades. O que aconteceu foi que os universitários que estudavam fora e que não eram muitos pois eram poucas as faculdades ao alcance, chegavam em Tambaú nas férias de julho e reuniam-se na SAT. Não havia muitas opções de lazer. E foi numa dessas conversas, na SAT, que surgiu a ideia de se promover alguma coisa no mês de julho. Da conversa para a criação do CUT, o passo foi curto. Eu e meus amigos fomos falar com o presidente da SAT, que na época era o Dr. Lara e pedimos autorização para promover na SAT as experiências que tínhamos na faculdade. A ideia sempre foi essa, trazer para Tambaú, palestras, teatros, conferências, jogos e tudo mais que as faculdades tinham.

Umas das finalidades do CUT também era a de informar os estudantes de Tambaú sobre as faculdades. O que eram os cursos, onde havia faculdades de determinadas áreas. Nossa missão era entrosar os estudantes de 2° grau com os universitários.

Para chamar os estudantes a participarem da SEUNIT, usávamos algumas estratégias que acabaram por virar tradições. Criamos o concurso da Rainha dos Universitários e essa rainha não poderia ser universitária. A menina escolhida sempre “arrastava” muitos colegas de escola para nossos eventos.

O próprio “Bolinha” era uma maneira de chamar os jovens. O povo precisa de pão e o nosso circo era o “Bolinha”.

A ideia teve tanta repercussão, que os estudantes daqui não viam a hora de entrar numa faculdade para poder participar da diretoria do CUT.

PR – Como a cidade reagiu à sua primeira SEUNIT?

JR – No início, houve muita crítica ao “Bolinha”. A população associava o nome da boate à droga que era muito consumida na época. 

Na verdade, o nome da boate nada tem a ver com a droga. Aconteceu que na primeira noite que funcionou o “Bolinha”, nós usávamos como decoração várias bolas coloridas e um cara da nossa turma chegou na SAT, observou a decoração e disse: “Puxa! Isto aqui ta parecendo o Clube do Bolinha”. Daí surgiu o nome da nossa polêmica boate. Parte da polêmica era por causa do ambiente parcialmente escuro que, para os olhos da população de Tambaú, era uma coisa de outro mundo. Ela associava a falta de luz à frequência de pessoas de má reputação. Para explicar melhor, a iluminação do “Bolinha” era igual à iluminação dos atuais bailes na SAT. Todas as críticas da primeira Semana caíram sobre o “Bolinha”.

PR – Daria para o senhor fazer um resumo dos sete anos como presidente do CUT?

JR – Os seis próximos anos foram praticamente no mesmo estilo que o primeiro. Apenas havia mudanças na decoração da boate. Eu me lembro do ano da conquista da Lua, que eu trouxe um amigo de São Paulo para que fizesse a decoração do “Bolinha” com esse tema. Foi um sucesso. O “Bolinha” fechava às 2 horas, mas o pessoal se reunia e ficava ouvindo alguém tocar violão e cantando até as 5 da manhã. A época era da Bossa Nova, com a Elis, Jair Rodrigues, músicas revolucionárias como a de Vandré, a jovem-guarda de Roberto Carlos, entre outros.

PR – Qual a sua opinião sobre o velho tema da sede própria para o CUT?

Jr – Todo mundo sabe que é da máxima importância um local para guardarmos as coisas do CUT. Seria preciso conseguirmos nem que fosse um quartinho 3x2 para guardar os documentos e objetos do Clube. O problema da sede persegue o CUT desde o início, mas o mais importante é não parar a luta.

PR – Quais as suas expectativas para a SEUNIT deste ano que comemora seu Jubileu de Prata?

JR – Eu falo em nome de todos os universitários que formaram o Clube e todos os outros que se seguiram depois. Eu acho que nós gostaríamos imensamente, ou melhor, tenho certeza que gostaríamos que houvesse uma confraternização com a primeira turma do CUT e todas as outras que vieram depois. Todos gostaríamos de ser lembrados neste Jubileu de Prata. É minha maior expectativa reunir as diretorias e conversarmos sobre os vinte e cinco anos deste importante Clube.

PR – Que palavras o senhor diria a nós, do CUT, que estamos trabalhando para não deixar morrer a sua ideia de vinte e cinco anos atrás?

JR – Por vocês estarem no caminho certo, na condução do CUT, a única palavra de incentivo que posso dizer é: acreditem em vocês, pois vocês são capazes de atingir todos os objetivos propostos. Vocês vão vencer. Eu acreditei em mim e em meus amigos. Tinha certeza de que ia vencer e venci.

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