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| Uma das famosas decorações do "Bolinha", na SAT. |
(Entrevista publicada no Jornal “O Tambaú” no ano de 1988)
Paulo Rogério B. Rocco
Este nosso bate-papo aconteceu no
sábado, dia 9 de abril e, através de algumas perguntas, o nosso amigo José
Ristum contou tudo. Você vai saber agora como nasceu o CUT - Clube Universitário Tambauense - e para que ele foi
criado.
PR - José Ristum, como nasceu a idéia de formação de um
clube universitário em Tambaú, que não possuía e não possui uma universidade?
JR – O CUT não tem nada a ver com universidades. O que
aconteceu foi que os universitários que estudavam fora e que não eram muitos
pois eram poucas as faculdades ao alcance, chegavam em Tambaú nas férias de
julho e reuniam-se na SAT. Não havia muitas opções de lazer. E foi numa dessas
conversas, na SAT, que surgiu a ideia de se promover alguma coisa no mês de
julho. Da conversa para a criação do CUT, o passo foi curto. Eu e meus amigos
fomos falar com o presidente da SAT, que na época era o Dr. Lara e pedimos
autorização para promover na SAT as experiências que tínhamos na faculdade. A ideia sempre foi essa, trazer para Tambaú, palestras, teatros, conferências,
jogos e tudo mais que as faculdades tinham.
Umas das finalidades do CUT também era a de informar os
estudantes de Tambaú sobre as faculdades. O que eram os cursos, onde havia
faculdades de determinadas áreas. Nossa missão era entrosar os estudantes de 2°
grau com os universitários.
Para chamar os estudantes a participarem da SEUNIT, usávamos
algumas estratégias que acabaram por virar tradições. Criamos o concurso da
Rainha dos Universitários e essa rainha não poderia ser universitária. A menina
escolhida sempre “arrastava” muitos colegas de escola para nossos eventos.
O próprio “Bolinha” era uma maneira de chamar os jovens. O
povo precisa de pão e o nosso circo era o “Bolinha”.
A ideia teve tanta repercussão, que os estudantes daqui não
viam a hora de entrar numa faculdade para poder participar da diretoria do CUT.
PR – Como a cidade reagiu à sua primeira SEUNIT?
JR – No início, houve muita crítica ao “Bolinha”. A
população associava o nome da boate à droga que era muito consumida na época.
Na
verdade, o nome da boate nada tem a ver com a droga. Aconteceu que na primeira
noite que funcionou o “Bolinha”, nós usávamos como decoração várias bolas
coloridas e um cara da nossa turma chegou na SAT, observou a decoração e disse:
“Puxa! Isto aqui ta parecendo o Clube do Bolinha”. Daí surgiu o nome da nossa
polêmica boate. Parte da polêmica era por causa do ambiente parcialmente escuro
que, para os olhos da população de Tambaú, era uma coisa de outro mundo. Ela
associava a falta de luz à frequência de pessoas de má reputação. Para explicar
melhor, a iluminação do “Bolinha” era igual à iluminação dos atuais bailes na
SAT. Todas as críticas da primeira Semana caíram sobre o “Bolinha”.
PR – Daria para o senhor fazer um resumo dos sete anos como
presidente do CUT?
JR – Os seis próximos anos foram praticamente no mesmo
estilo que o primeiro. Apenas havia mudanças na decoração da boate. Eu me
lembro do ano da conquista da Lua, que eu trouxe um amigo de São Paulo para que
fizesse a decoração do “Bolinha” com esse tema. Foi um sucesso. O “Bolinha”
fechava às 2 horas, mas o pessoal se reunia e ficava ouvindo alguém tocar
violão e cantando até as 5 da manhã. A época era da Bossa Nova, com a Elis,
Jair Rodrigues, músicas revolucionárias como a de Vandré, a jovem-guarda de
Roberto Carlos, entre outros.
PR – Qual a sua opinião sobre o velho tema da sede própria
para o CUT?
Jr – Todo mundo sabe que é da máxima importância um local
para guardarmos as coisas do CUT. Seria preciso conseguirmos nem que fosse um
quartinho 3x2 para guardar os documentos e objetos do Clube. O problema da sede
persegue o CUT desde o início, mas o
mais importante é não parar a luta.
PR – Quais as suas expectativas para a SEUNIT deste ano que
comemora seu Jubileu de Prata?
JR – Eu falo em nome de todos os universitários que formaram
o Clube e todos os outros que se seguiram depois. Eu acho que nós gostaríamos
imensamente, ou melhor, tenho certeza que gostaríamos que houvesse uma
confraternização com a primeira turma do CUT e todas as outras que vieram
depois. Todos gostaríamos de ser lembrados neste Jubileu de Prata. É minha
maior expectativa reunir as diretorias e conversarmos sobre os vinte e cinco
anos deste importante Clube.
PR – Que palavras o senhor diria a nós, do CUT, que estamos
trabalhando para não deixar morrer a sua ideia de vinte e cinco anos atrás?
JR – Por vocês estarem no caminho certo, na condução do CUT,
a única palavra de incentivo que posso dizer é: acreditem em vocês, pois vocês
são capazes de atingir todos os objetivos propostos. Vocês vão vencer. Eu
acreditei em mim e em meus amigos. Tinha certeza de que ia vencer e venci.

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