terça-feira, 28 de maio de 2013

2012 – O ano em que o mundo não acabou e a Seunit ressurgiu


Galera do La Cucaracha no Casarão-Símbolo da Seunit.
por Gustavo de Oliveira Antonio*



Nasci em 1988, ano em que a Seunit (Semana Universitária Tambauense) completou seu Jubileu de Prata. Assim, cresci fascinado pela mágica daquele evento que parecia agitar a cidade inteira de Tambaú. Lembro-me da movimentação nas escadas do centro cultural e das brincadeiras, como a caça ao tesouro. Não via a hora de poder participar efetivamente daquela festa. Até que aos 10 anos finalmente pude sair a procurar o tesouro junto com meus primos e amigos mais velhos.


Ao chegar à adolescência, ainda presenciei boas iniciativas, como encontros de motos e jipes que marcavam os domingos da Seunit, vi shows no Casarão (que anos mais tarde “ocuparíamos” com a República La Cucaracha) e no Centro Cultural. Amigos de outras cidades, em férias, vinham em peso para Tambaú.  Era algo realmente muito legal – apesar de naquela época já dizerem que a Seunit não era mais a mesma coisa, que a parte cultural havia sido deixada de lado. 

Quando entrei na faculdade de Jornalismo e me mudei para São Paulo, em 2006, fui embora com a promessa feita a mim mesmo de tentar trazer coisas diferentes da cidade grande para nossa pacata Tambaú, a fim de agitá-la culturalmente e ajudar em seu desenvolvimento. 

Por aquela época, contudo, parece que a magia da Seunit foi diminuindo. Toda aquela parte cultural e de lazer em geral não era mais vista. O evento passou a se resumir a uma sucessão de festas. Não que isso fosse ruim, muito pelo contrário. Lembro-me em especial da edição de 2007, em que pudemos acompanhar boas atrações naquelas noites frias de julho. Porém, faltava alguma coisa.


No mesmo ano de 2007, ajudei a criar a República La Cucaracha (que seria a origem do atual Movimento La Cucaracha), com a qual buscamos colaborar com a Seunit, realizando shows e exposições de talentos artísticos de Tambaú no Casarão e, assim, agitar a cidade. Contudo, comecei a estagiar em São Paulo e preferi não me envolver com a organização da Seunit. Minha promessa estava temporariamente frustrada.

Nesse tempo, porém, não deixei de frequentar o evento. De fato, entretanto, alguma coisa havia mudado. Não sei bem o que aconteceu. Não me cabe avaliar isso ou criticar qualquer pessoa. Todos que se dispuseram a organizar o evento já merecem meu respeito pela tomada de iniciativa. Mas não posso deixar de registrar minha impressão: a população de Tambaú havia perdido o fascínio pela Seunit.

Até que em janeiro de 2012, ano em que, segundo uma suposta profecia maia, o mundo iria acabar (ainda bem que eles estavam errados, diga-se de passagem, até porque senão eu não estaria aqui escrevendo estas linhas), meu sonho começou a ressurgir. Eu já era um jornalista formado e iniciava o curso de Direito. Foi então que o Fernando Lozávio (famoso na cidade pela alcunha de “Pão) veio me dizer que ele e o Bruno Martinelli Netto estavam assumindo a organização da Seunit (como representantes da ASSEUTAM, Associação dos Estudantes Universitários de Tambaú, que havia ficado com o comando do evento a partir de 2009) e queriam resgatar o brilho daquela “instituição” da cidade. Além disso, eles contavam com a ajuda de uma turma que também estava totalmente disposta a “fazer acontecer”. Pronto. A chance de cumprir minha promessa – ajudando a melhorar a cidade – era real.

Acho que mais do que as pessoas (que mudam com as gerações), o importante é sempre destacar a Seunit, que já está aí há 50 anos. Porém, o Bruno e o Pão merecem todos os elogios pela atitude que tiveram. Com a cara e a coragem (e é verdade, com o apoio dessa galera citada), eles arriscaram e conseguiram trazer shows de bandas reconhecidas nacionalmente para a Seunit de 2012, como Planta e Raiz e Pedra Letícia. Isso que eles fizeram, até alguns anos antes, parecia impossível. Por isso, neste ponto, me parece, eles ganharam a confiança da cidade. A Seunit voltava a figurar como algo importante para Tambaú 

Além de Planta e Raiz e Pedra Letícia, na parte de shows a Seunit 2012 contou com Bruno Britto (famoso no circuito universitário), Vive Le Rock, Clayton Reis e Banda Vertical, Carbono 14, República Livre, Indecisão, Carlos Henrique e Daniel, a banda de jazz Going Home, e bandas de garagem (sucesso total de público) mostrando todo o talento dos artistas tambauenses.

Houve ainda a peça de teatro “Os Persas”, de Coelho de Moraes, e um evento de essencial importância: a realização do primeiro debate da campanha para Prefeito de Tambaú nas Eleições Municipais de 2012. Com essa última iniciativa, a Seunit voltou a cumprir seu papel social/político. Porque Seunit é lugar sim para diversão, mas também para cidadania, política e iniciativas que melhorem o mundo em geral. 

Mas o que quero ressaltar novamente – e deixo claro que essa é minha opinião – é que foi resgatada a crença na Seunit. Tanto que a Edição Ouro (nome dado à 50ª edição) está sendo muito aguardada. E graças à volta da confiança da população, ganhamos ânimo para realizar um evento melhor ainda, que contará, entre outras atrações, com a presença do cineasta Fernando Meirelles, indicado ao Oscar de melhor diretor pelo filme Cidade de Deus, e uma mostra de cinema. Ainda na parte cultural, haverá a exposição de 50 anos da Seunit, organizada pelo diretor teatral e publicitário Paulo Rogério Rocco – um dos maiores entusiastas da festa e que a chama de “A Senhora dos Nossos Sonhos” –, e peças de teatro da Associação Cultural Quintal das Artes e do grupo Ô de Casa. Entre as bandas, destaque para as nacionalmente conhecidas Velhas Virgens e Pedra Letícia (que volta após o sucesso de 2012); tributo a Beatles e Rolling Stones e o retorno de Ratto (que lotou o centro cultural nas Seunits de 2007 e 2008). Além do que, em uma parceria importante demais com os grupos organizados de Tambaú, levaremos atrações aos bairros através do “Seunit nos Bairros”, mostrando que o evento pertence a todos os tambauenses, integrando e contagiando a cidade toda em um só clima.  

Com toda humildade do mundo, quero deixar claro que o importante é a Seunit – assim como todos os eventos que tragam coisas boas para Tambaú. Desta forma, independente de quem esteja na organização, minha esperança é que sempre permaneça o espírito da Seunit, aquele mesmo que levou jovens a criarem o evento nos anos 1960: o espírito de fazer as coisas acontecerem, de agir pensando num bem maior e coletivo. 

Enfim. Nasci no Jubileu de Prata e, 25 anos depois, tenho a honra de poder ajudar a organizar a 50ª edição da Semana Universitária Tambauense. A Edição Ouro. Espero estar vivo para ver jovens com brilho nos olhos fazendo acontecer a 100ª edição da Seunit daqui a 50 anos. 



“Porque se chamavam homens,

Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem”


Clube da Esquina 2



*Gustavo de Oliveira Antonio, tambauense, é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, com passagens pelo jornal O Estado de S. Paulo, portal Terra e GazetaEsportiva.Net. Atualmente, é assessor de imprensa do Colégio Dante Alighieri, cursa o 2º ano de Direito na  Universidade Presbiteriana Mackenzie e participa da organização da 50ª Seunit.

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