por Gustavo de
Oliveira Antonio*
Nasci em 1988, ano em que a Seunit (Semana Universitária Tambauense) completou
seu Jubileu de Prata. Assim, cresci fascinado pela mágica daquele evento que
parecia agitar a cidade inteira de Tambaú. Lembro-me da movimentação nas
escadas do centro cultural e das brincadeiras, como a caça ao tesouro. Não via
a hora de poder participar efetivamente daquela festa. Até que aos 10 anos
finalmente pude sair a procurar o tesouro junto com meus primos e amigos mais
velhos.
Ao chegar à adolescência, ainda presenciei boas iniciativas,
como encontros de motos e jipes que marcavam os domingos da Seunit, vi shows no
Casarão (que anos mais tarde “ocuparíamos” com a República La Cucaracha) e no
Centro Cultural. Amigos de outras cidades, em férias, vinham em peso para
Tambaú. Era algo realmente muito legal –
apesar de naquela época já dizerem que a Seunit não era mais a mesma coisa, que
a parte cultural havia sido deixada de lado.
Quando entrei na faculdade de Jornalismo e me mudei para São Paulo, em 2006,
fui embora com a promessa feita a mim mesmo de tentar trazer coisas diferentes
da cidade grande para nossa pacata Tambaú, a fim de agitá-la culturalmente e
ajudar em seu desenvolvimento.
Por aquela época, contudo, parece que a magia da Seunit foi diminuindo. Toda
aquela parte cultural e de lazer em geral não era mais vista. O evento passou a
se resumir a uma sucessão de festas. Não que isso fosse ruim, muito pelo
contrário. Lembro-me em especial da edição de 2007, em que pudemos acompanhar
boas atrações naquelas noites frias de julho. Porém, faltava alguma coisa.
No mesmo ano de 2007, ajudei a criar a República La
Cucaracha (que seria a origem do atual Movimento La Cucaracha), com a qual
buscamos colaborar com a Seunit, realizando shows e exposições de talentos
artísticos de Tambaú no Casarão e, assim, agitar a cidade. Contudo, comecei a estagiar
em São Paulo e preferi não me envolver com a organização da Seunit. Minha
promessa estava temporariamente frustrada.
Nesse tempo, porém, não deixei de frequentar o evento. De
fato, entretanto, alguma coisa havia mudado. Não sei bem o que aconteceu. Não
me cabe avaliar isso ou criticar qualquer pessoa. Todos que se dispuseram a
organizar o evento já merecem meu respeito pela tomada de iniciativa. Mas não
posso deixar de registrar minha impressão: a população de Tambaú havia perdido
o fascínio pela Seunit.
Até que em janeiro de 2012, ano em que, segundo uma suposta
profecia maia, o mundo iria acabar (ainda bem que eles estavam errados, diga-se
de passagem, até porque senão eu não estaria aqui escrevendo estas linhas), meu
sonho começou a ressurgir. Eu já era um jornalista formado e iniciava o curso
de Direito. Foi então que o Fernando Lozávio (famoso na cidade pela alcunha de
“Pão) veio me dizer que ele e o Bruno Martinelli Netto estavam assumindo a
organização da Seunit (como representantes da ASSEUTAM, Associação dos
Estudantes Universitários de Tambaú, que havia ficado com o comando do evento a
partir de 2009) e queriam resgatar o brilho daquela “instituição” da cidade.
Além disso, eles contavam com a ajuda de uma turma que também estava totalmente
disposta a “fazer acontecer”. Pronto. A chance de cumprir minha promessa –
ajudando a melhorar a cidade – era real.
Acho que mais do que as pessoas (que mudam com as gerações), o importante é
sempre destacar a Seunit, que já está aí há 50 anos. Porém, o Bruno e o Pão
merecem todos os elogios pela atitude que tiveram. Com a cara e a coragem (e é
verdade, com o apoio dessa galera citada), eles arriscaram e conseguiram trazer
shows de bandas reconhecidas nacionalmente para a Seunit de 2012, como Planta e
Raiz e Pedra Letícia. Isso que eles fizeram, até alguns anos antes, parecia
impossível. Por isso, neste ponto, me parece, eles ganharam a confiança da
cidade. A Seunit voltava a figurar como algo importante para Tambaú
Além de Planta e Raiz e Pedra Letícia, na parte de shows a Seunit 2012 contou
com Bruno Britto (famoso no circuito universitário), Vive Le Rock, Clayton Reis
e Banda Vertical, Carbono 14, República Livre, Indecisão, Carlos Henrique e
Daniel, a banda de jazz Going Home, e bandas de garagem (sucesso total de
público) mostrando todo o talento dos artistas tambauenses.
Houve ainda a peça de teatro “Os Persas”, de Coelho de Moraes, e um evento de
essencial importância: a realização do primeiro debate da campanha para
Prefeito de Tambaú nas Eleições Municipais de 2012. Com essa última iniciativa,
a Seunit voltou a cumprir seu papel social/político. Porque Seunit é lugar sim
para diversão, mas também para cidadania, política e iniciativas que melhorem o
mundo em geral.
Mas o que quero ressaltar novamente – e deixo claro que essa é minha opinião –
é que foi resgatada a crença na Seunit. Tanto que a Edição Ouro (nome dado à
50ª edição) está sendo muito aguardada. E graças à volta da confiança da
população, ganhamos ânimo para realizar um evento melhor ainda, que contará,
entre outras atrações, com a presença do cineasta Fernando Meirelles, indicado
ao Oscar de melhor diretor pelo filme Cidade de Deus, e uma mostra de cinema.
Ainda na parte cultural, haverá a exposição de 50 anos da Seunit, organizada
pelo diretor teatral e publicitário Paulo Rogério Rocco – um dos maiores
entusiastas da festa e que a chama de “A Senhora dos Nossos Sonhos” –, e peças
de teatro da Associação Cultural Quintal das Artes e do grupo Ô de Casa. Entre
as bandas, destaque para as nacionalmente conhecidas Velhas Virgens e Pedra
Letícia (que volta após o sucesso de 2012); tributo a Beatles e Rolling Stones
e o retorno de Ratto (que lotou o centro cultural nas Seunits de 2007 e 2008).
Além do que, em uma parceria importante demais com os grupos organizados de
Tambaú, levaremos atrações aos bairros através do “Seunit nos Bairros”,
mostrando que o evento pertence a todos os tambauenses, integrando e
contagiando a cidade toda em um só clima.
Com toda humildade do mundo, quero deixar claro que o importante é a Seunit –
assim como todos os eventos que tragam coisas boas para Tambaú. Desta forma,
independente de quem esteja na organização, minha esperança é que sempre
permaneça o espírito da Seunit, aquele mesmo que levou jovens a criarem o
evento nos anos 1960: o espírito de fazer as coisas acontecerem, de agir
pensando num bem maior e coletivo.
Enfim. Nasci no Jubileu de Prata e, 25 anos depois, tenho a honra de poder
ajudar a organizar a 50ª edição da Semana Universitária Tambauense. A Edição
Ouro. Espero estar vivo para ver jovens com brilho nos olhos fazendo acontecer
a 100ª edição da Seunit daqui a 50 anos.
“Porque se chamavam
homens,
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem”
Clube da Esquina 2
*Gustavo de Oliveira
Antonio, tambauense, é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, com
passagens pelo jornal O Estado de S. Paulo, portal Terra e GazetaEsportiva.Net.
Atualmente, é assessor de imprensa do Colégio Dante Alighieri,
cursa o 2º ano de Direito na Universidade
Presbiteriana Mackenzie e participa da organização da 50ª Seunit.

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